terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Beijo





TE AMO
Vanessa da Mata


Mas o pior não é não conseguir
É desistir de tentar

Não acredite no que eles dizem
Perceba o medo de amar

Eu cresci ouvindo anedotas, clichês e
Chacotas

Frustrações
Sobre amasiar, se casar
Se entregar seria fraquejar

Te amo, te amo, te amo
Te amo, te amo, te amo

E se o tempo levar você

E um dia eu te olhar e não te reconhecer

E se o romance se desconstruir
Perder o sentido
E eu me esquecer por ai

Mas nós somos um quadro de Klimt
"O Beijo" para sempre fagulhando em cores

Resistindo a tudo seremos
Dois velhos felizes
De mãos dadas numa tarde de sol
Pra sempre

Te amo, te amo, te amo
Te amo, te amo, te amo


Pode parecer estranho, mas estou vivendo o momento mais feliz da minha vida. Não pelo casamento enquanto tradição, cuja aquelas que estão de fora são taxadas de mil coisas , ou enquanto a tábua de salvação, falta de opção, obrigação, ou, menos ainda, enquanto sonho romântico ou projeto de vida. Estou feliz porque encontrei alguém que despertou algo inédito em mim. Algo tão bom que nem eu sabia que era capaz. Ter a oportunidade de viver isso plenamente é delicioso. 

Meu coração está cheio de alegria. E nada que venham me dizer a respeito do "casamento" vai me tirar isso, ou me por dúvidas a respeito do que estou fazendo. Problemas vão sempre existir, esteja solteiro ou casado. A rotina, idem. Mas ter um companheiro com quem dividir tudo isso, os problemas e as soluções, as alegrias e as angústias... quando você tem um cúmplice com quem dividir seus sentimentos... certamente o duro cotidiano pode adquirir um ar mais leve e suave. 

Meu amor, não acredite no que eles dizem... perceba o medo de amar.

Descobri que o amor é uma doação: espontânea, voluntária, amorosa, sem nada pedir em troca, nem status, nem dinheiro, nem fama, nem nada.. E é tão natural. O resto é bobagem.

E quando me falam se não sinto minha individualidade roubada, minha nossa!, jamais! Muito pelo contrário, sinto ela estendida. Sinto que posso muito mais, muito além do que eu havia antes imaginado. 

Sei que estou feliz, e até temo um pouco divulgar minha alegria, pois nem sempre as pessoas também se alegram com ela. Mas, meu Gazinho, deixe que digam, que pensem, que falem... pois

Resistindo a tudo seremos
Dois velhos felizes
De mãos dadas numa tarde de sol
Pra sempre

TE AMO, TE AMO, TE AMO.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Eu não sou tão frágil quanto pareço. Quem me viu em dada situação pode ter tido a impressão de que eu desmontaria. Realmente, eu me desmonto. Ou, como Cecília, "me deixo cortar para poder voltar sempre inteira". Porque eu sofro. Sofro quando é para sofrer. Choro quando é pra chorar. Mas isso não me apraz, porque tenho tanta vida! E tenho tantos motivos para ser feliz e estar alegre que permanecer em lamúrias me faz sentir quase uma criminosa, especialmente quando me vejo diante de um mundo onde há tanta gente sobrevivendo à barbaridades. Apenas me permito viver os momentos e fases da vida, cada qual com suas alegrias e dores.

E me disse um passarinho...

Deixe as coisas irem...

Carro é só lata.

E eu parei para refletir. Coisas são só coisas. Umas vão outras vem e assim segue.
Não quero ser o que eu tenho. Não sou o meu carro, o meu celular, a minha casa, as roupas que me vestem.

 Eu sou... o que faço, o que penso e o que sonho!


terça-feira, 29 de abril de 2014

O que aprendi

Porque no mínimo alguma coisa a gente sempre aprende...


É duro quando arrancam de nós algo pelo qual lutamos para conquistar. Quando roubaram meu carro na porta da escola onde trabalho eu entrei em choque. Os sentimentos se embaralharam - revolta, culpa, tristeza, impotência, abandono, medo.

Mas o primeiro sentimento que, comumente, nos vem nessas horas é a raiva - e o desejo de que aqueles que o fizeram tenham o que mereçam: o devido castigo. E quanto mais doloroso for, melhor.

Demorei em conseguir organizar o pensamento e os sentimentos. Colocá-los no lugar novamente custou um tanto. Mas aprendi algumas coisas importantes nesse meio tempo. E, como sempre, com pessoas.

Foi de uma senhorinha de quem ouvi, com surpresa, o seguinte conselho: não lhes deseje castigo, mas que consigam condições melhores de vida pra que não seja mais necessário fazer aquilo.

O tal conselho, ou melhor, reprimenda, me recordou de algo que eu não deveria esquecer. O fato de que as condições de vida acabam empurrando muitos dos nossos jovens ao mundo do crime, como saída mais imediata da esfera de privações em que vivem e inserção ao mundo do consumo do qual somos bombardeados a todo momento. Quando olho para o local onde trabalho - aquele universo de cohabs - onde há muita gente e pouca ou quase nenhuma estrutura, nenhum trabalho, postos de saúde ou hospitais descentes, sem áreas de lazer, esporte, cultura, com escolas que mais parecem prisões, difícil acesso às áreas centrais da cidade... Daí eu percebo: dessa gente quase tudo já foi tirado... Nossas perifeiras sofrem do mais descarado descaso da parte dos governos. Logo, naquela região – e também na qual eu moro - o problema não é apenas de segurança, mas especialmente social. A precariedade de vida, a miséria material e espiritual a qual muitas  dessas pessoas são condenadas, o estado de abandono são os principais responsáveis pelos altos números que caracterizam a violência nesses locais.


Portanto, se acredito ser justo alardear e reivindicar alguma providência dos governantes sobre o problema da violência que têm rondado as escolas da periferia – pois o meu foi apenas um caso entre os muitos que ocorrem toda semana nas zonas periféricas da cidade – pois então que reivindiquemos não apenas por segurança – sim, esta também é necessária, visto que muitos profissionais acabam se afastando e abandonando esses locais devido à insegurança e ao medo – mas também e especialmente por melhores condições de vida para quem mora nessas regiões: saúde e educação dignas, esporte, cultura, lazer, moradia, transporte. Dar oportunidade a esses jovens de poderem vislumbrar um futuro descente. Enfim, não é simplesmente de castigos que precisamos, mas de mais DIGNIDADE.

E, ainda que eu fique triste por terem levado meu carro, sinto-me feliz pela sorte que tive ao nascer numa família que, de acordo com as condições, puderam me oportunizar muitas coisas, inclusive estudar, ter uma profissão, um carro e muito mais...






sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila - Parte II



A segunda parte da minha história foi: a minha adolescência em seu auge, entre os 13 e os 15 anos.  Nesta fase em que a vida gira de cabeça para baixo e você se sente o ser mais  incompreendido e desamado do mundo, eis que me deparei com as pessoas que se tornariam a minha segunda família. Foi breve e marcante. Amigos que eu, no momento, imaginava que trilhariam comigo os caminhos da vida a partir dali. Bem, profecia que se realizou apesar de não do modo como todos esperavam. No entanto, mesmo na distância, mesmo levando vidas diferentes, fazendo escolhas diferentes e tendo outros círculos sociais, esses amigos, que se tornaram irmãos, continuaram em minha vida de uma forma única. Não nos víamos mais com frequência, não éramos mais o centro da vida um do outro, mas hora ou outra, sempre aparecíamos. Nas dificuldades nos procurávamos, mesmo após anos, e nestes amigos sempre encontramos abrigo, por mais diferentes que fossem nossas vidas. Belon, Mariana, Bruna e Jéssica, cada um a sua maneira permaneceu na minha vida desde que entraram nela, aos 13/15 anos. Quando em nossa adolescência nos separamos restou um buraco enorme, uma ferida que demorou a cicatrizar e mesmo cicatrizada, nada foi capaz de preencher novamente o vazio. Ter a chance de reuni-los  outra vez e poder recontar a nossa história tem sido algo especial, pelo qual eu jamais esperava. A vida é generosa conosco.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila.


Se a nossa história diz sobre quem somos e muito de pra onde vamos, então é importante lembrar algumas coisas da minha história que são essenciais.

A primeira coisa primordial na minha vida: eu tive e tenho uma FAMÍLIA. Eu tive pai e mãe presentes, incentivadores, carinhosos, colaboradores, fortes e que, acima de tudo, sempre demonstraram amor, amabilidade, preocupação, cuidado, gentileza um para com o outro e para com os filhos. Eu vivi num ambiente de relações amistosas, uma casa tranquila, um LAR. Não quero dizer com isso que tudo eram flores, jamais. Passamos por dificuldades e não foram poucas. Mas em todas elas eu presenciava o apoio mútuo dos meus pais, até em momentos de discórdia entre eles. A paciência, a hora de ceder e de trocar também configuravam essa relação. Havia erro, arrependimento e perdão. Nos tempos mais difíceis, um segurava o outro. Um dava força ao outro até que as dificuldades fossem superadas. Os meus pais não tiveram todos os privilégios que eu tive. Viveram e cresceram e construíram suas vidas em outra época. Seus esforços foram, sem dúvida, dobrados com relação aos meus. Mas graças aos esforços deles hoje eu sei o que é ter um lar. Aprendi que é essencial para a vida termos para onde voltar. O mundo é uma total desordem e lá fora precisamos aguentar, segurar a barra e enfrentar centenas de desafios todos os dias. O lar é o lugar para onde você volta, é acolhido e pode retirar todas as máscaras e armaduras. Pode ser você. É aceito exatamente como é. É ali que nos formamos e nos fortalecemos. É ali que adquirimos forças para voltar para a batalha no dia seguinte. E por mais que ao longo do tempo outras metas e objetivos foram adentrando a minha vida e me fazendo desejar outros horizontes, hoje tenho plena certeza de que de nada valerá  almejar um futuro brilhante de desenvolvimento pessoal, se ao final do dia eu não tiver para onde voltar e me sentir em paz. E, para tanto, não me basta ter uma casa própria e um marido com quem dividir as contas. Mas sim ter um companheiro e um cúmplice para a vida. E este eu já encontrei.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre a Camila e sua reviravolta, Sobre AMOR e LIBERDADE.

É difícil explicar o que deu em mim.

O que deu nessa menina racional, rebelde, feminista que gosta de liberdade. Assim, do nada, resolve casar? 

Casar, ter filhos e um cachorro.

Pois é.

Comercial de margarina? E a monogamia e suas restrições à liberdade? E o casamento e seu contrato social, sua moral ultrapassada, seus valores controversos... E o patriarcado, o machismo que rola nessas relações? E tudo aquilo sobre o ciúme, a posse, a castração?

São muitas ideias pra tão rápida mudança!

Vou tentar explicar, mas não espero convencer, porque o que estou vivendo é apenas vivendo que se entende.

Gente, sabe o que é, é que eu recebi O AMOR.

Preciso dizer uma coisa a vocês: o amor é outra coisa, tão diferente do que a gente pensa, muitas vezes, que é. E sim, minha gente, ele existe. Ele é raro, mas existe. É coisa difícil de explicar, mas não é só balela de livros, poesias e histórias românticas. Na verdade, ele não é nada disso. Nada do que dizem. Nada do que a gente espera. Aliás, a gente nunca espera. 

Nos descaminhos da vida vivemos romances, paixões, algumas histerias. As vezes confundimos tudo isso com amor. As vezes? Quase a maioria delas. 

Mas o AMOR, esse de que vos falo, ele é algo maior e mais sublime que tudo isso, ou tudo isso junto. Aliás, ele está bem acima disso
.
O amor quando dá a gente não duvida, a gente não questiona, a gente não nega, nem renega, nem esconde. Ele se estampa em nosso rosto sem pedir licença, se mostra a quem quiser ver, sem pudores. Ele enche nossos pulmões de ar e colore, sim ele colore!, as ruas por onde passamos, os lugares, as pessoas, o sol e a chuva, os muros e tudo o que está em torno. Ele invade nossas entranhas. Ele transforma a passagem do tempo. Ele aromatiza o ar, o simples ar que respiramos.

Ele não é avassalador. Ele não destrói tudo por onde passa. Ele não nos faz esquecer de quem somos. Ele não nos completa. Ele não nos torna escravos. ELE NÃO NOS FAZ SOFRER, ABSOLUTAMENTE.

O AMOR me invade. O AMOR invade o outro. É RECÍPROCO. O AMOR faz com que juntos potencializemos quem somos, faz nos lançar para aquilo que melhor podemos ser e fazer. No AMOR eu me encontro, eu me revelo, eu sou uma, duas, três, várias!, e no AMOR cabe todas elas. Só NO AMOR é possível a verdadeira liberdade de ser o que é, sem julgamentos, sem pudores, sem vergonhas, sem discriminações, sem ofensas, sem preconceitos. O AMOR nos aceita de verdade exatamente como aquilo que fomos, somos e aquilo que desejamos ser.  O AMOR não me completa, ele me permite ser inteira. Ser corpo, alma, emoção, razão, ser, por fim, HUMANA. O AMOR acolhe com tal generosidade e alegria que ele nos permite errar, nos permite ter falhas, defeitos, sem nos renegar por isso. O AMOR nos faz crescer. Ele quer que cresçamos, que sejamos o melhor que podemos ser, não por uma troca, mas pelo simples fato de ser o crescimento do outro, o meu, e vice-versa. Ele nos acolhe com doçura nos momentos de aflição. Ele vive nossas vitórias com satisfação. O AMOR é encanto, é paciência, é doçura, é calor. O AMOR é uma vontade desenfreada de compartilhar a sua vida, a sua história, o seu mundo com outra pessoa, construindo, daí por diante, uma única história. 

O AMOR me presenteou com a possibilidade de encontra-lo numa única pessoa. Não há mais o que procurar lá fora, pois tudo o que preciso já me foi dado. Qual é a liberdade que procuramos, se não é a liberdade de sermos nós mesmos, por completo? Aliás, em toda busca por liberdade está também a busca por sermos aceitos, do jeito que somos. E é por isso que este amor me cabe. É por isso tudo, que não me sinto com ele castrada, podada em minhas liberdades. Por que nele eu, e tudo aquilo que acredito, se encaixam. Eu continuo sendo feminista. Continuo sendo anticapitalista. Continuo levantando minha voz contra a opressão, o machismo, o preconceito. E este amor me dá a liberdade de fazê-lo por dentro dele próprio também. Porque ele me respeita e me admira enquanto mulher, enquanto pessoa HUMANA, e enquanto tal me permite as possibilidades dessa condição. As contradições sociais que envolvem a vida a dois vão sendo superadas dia-a-dia, porque o que nos rege é o puro sentimento de nos querer bem e o desejo verdadeiro de partilhar a vida, dando-nos a força e a sabedoria necessária para contornar os pontos de tensão. 

Há uma ignorância generalizada sobre o amor. Dos dois lados da força. A classe dominante sofre, mas não desconfia que há algo de errado em sua forma de amar. Já a esquerda tende a renegar todo o amor como criação ludibriadora da força dominante. Sei que vivemos tempos difíceis e isso inclui o relacionamento amoroso. Mas não é verdade que todo ele é castrador. Se o é, não pode ser chamado de amor. E também não acredito em um único tipo de amor, o amor monogâmico como o único verdadeiro. Desde sempre defendo que as pessoas possam viver seus sentimentos e desejos da forma como acharem melhor. Mas EU, que também já não acreditava, fui surpreendida, com um amor, um amor único, com o qual desejo compartilhar e perfazer os caminhos da vida daqui pela frente. 

E sim, vou me casar. Por que não há outra maneira de viver de forma mais intensa esse AMOR que me arrebatou. E nisso não há nenhuma contradição. Sou da liberdade. E descobri que

SÓ O AMOR LIBERTA.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Que pena.. sem querer apaguei todas as imagens do blog. Sem volta. Vai vê já tinha dado a hora delas.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Ah, o tempo!




"Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos

Tempo tempo tempo tempo"



Foi colocando o cadarço no meu All Star recém lavado que subitamente me dei conta de uma coisa: puxa, como o tempo passou rápido! Era verdade quando me diziam - aproveite sua meninice que o tempo voa, garota! Tudo o que vivi se passou como um flash na minha cabeça no exato momento em que, colocando o cordão nos furinhos, percebi que já não me importava a imperfeição dos traços e as torcidas no fio...! Há algum tempo atrás colocar o cadarço no All Star era uma arte. Este devia ficar perfeitamente esticado, sem torções ou dobras. Além do que era uma tarefa prazerosa, lembrando que eu possuía, nesta época, e com muito orgulho, um All Star preto de cano alto que, não, naquele tempo não combinava com nenhum All Star Azul... 

Mas ornava perfeitamente com o grupo de amigos malucos com os quais eu andava na escola. A malícia e putaria comiam soltas em nossas festinhas, idas à Lips ou em qualquer outro lugar onde nos encontrássemos depois da aula, apesar de mal sabermos o que era sexo, a não ser pelos episódios de Emanuelle que faziam sucesso entre nós. Até batizamos uma mesa com seu nome, em sua homenagem! Ah, bons tempos de sítio... rsrs. Bebíamos feito condenados e tudo era bem vindo. Fugíamos das aulas pra nos ver, cuidávamos uns dos outros, nos ajudávamos, vivíamos um na casa do outro e era sempre uma diversão regada a álcool, encrencas e muita risada, sempre.

Hoje quando lembro, penso, como adolescente é sem noção! Tudo era válido e éramos os senhores da razão. E com uma bela imaginação fértil fantasiávamos as mais belas loucuras juntos. E a melhor das certezas era: aquela amizade seria pra sempre. Pois bem, vivemos vertiginosamente os três meses mais loucos, intensos e extasiantes de nossas vidas. Foi como uma droga. E assim como toda trip acaba, a nossa farra também teve seu fim. E, de tão intenso, por tamanha entrega de cada um àqueles momentos, foi trágico. Pode parecer uma imensa bobagem a quem ouve a história. Mas ao menos eu posso afirmar sem ressalvas, marcou indelevelmente a minha vida.

Primeiro porque perdi pessoas cuja presença deu novo sentido á minha vida, me trazendo diversão, afeto, liberdade. Aliás, com eles, e só com eles, eu conseguia ser eu por inteiro, sem medo. Segundo, porque os perdi para os descaminhos da vida, não foi para a morte, nem para algo terrível, ou seja, era evitável e reversível, só dependia das pessoas. E por último, e para mim o mais inaceitável e doloroso, foi pelo fato de ter sido por espontânea vontade... A amizade de 7 pessoas desmoronou por espontânea vontade da pessoa que eu mais admirava dentre todos eles... da que me ensinou sobre amizade e generosidade e que me fez acreditar que a vida podia ser feliz apesar dos pesares... 

Isso me matou por alguns anos.

Daí em diante desencanei de amizades. Logo eu, que dava a vida por uma. Não, eu não comecei a usar drogas nem a me prostituir, mas foi bem difícil superar essa fase, sozinha, e ainda mais pela idade na qual qualquer coisa se agiganta. Agradeço aos meus pais pela paciência de aguentar eu ouvindo melancolicamente Evanescence, 30 vezes por dia. 

O fato é que toda essa história tem me vindo bastante à mente nos últimos tempos. Não por saudosismo ou acaso, mas pela impressionante volta que o mundo deu... "pra parar no mesmo lugar". A chance de recuperar algo que ficou perdido lá atrás, e que então me causou tanta dor por tanto tempo, tem me feito retornar ao passado, ressignificando, pouco a pouco, o que foi vivido. "A coruja de Minerva só alça voo ao crepúsculo" lembram? 

Eu amaldiçoava aos céus pela desgraça que se abateu sobre meu grupo de amigos. Maldizia aos ventos, a vida, aos deuses... Especialmente aquele garoto burro que causou toda a desordem! Indignada eu me perguntava que espécie de titica de galinha ele tinha na cabeça pra fazer uma coisa daquelas??? Eu não entendia, e me indignava, e rogava pragas, e.... fui, meio desajeitada, meio sem vontade, meio pra lá, meio pra cá, vivendo outras coisas na vida...

O tempo passou.

Vivi amores, paixões, estudos, greves, greves, greves, e novos amigos. E quando me dei conta de que havia feito novos amigos, amigos de verdade, amigos para a vida, então, a partir desse dia, foi tudo perdoado. E me vi finalmente livre daquele peso do passado. Saí saltitando. Fiz mil estripulias.

E assim a vida, feita de mil momentos e remendos, depois de muita agitação e bagunça, foi amansando, amansando... até que num susto!..Nove anos depois ... Estava lá... ELE, aquele menino da titica de galinha que tanto me fez sofrer e... que tinha um papo tão divertido e atraente! Uma imaginação tão fértil e um conhecimento tão vasto (ou uma capacidade incrível de dar migués rs), que me fazia rir e me envolvia de uma forma tão gostosa... e aquela risada, me era tão familiar... a sensação foi de ter retornado à casa... retomado uma parte importante de mim que havia ficado para trás. A mágica presença dele fez eu me sentir inteira novamente, sem medo de ser eu mesma... Eu apenas não sabia que ia gostar tanto daquele beijo...

Uau...  Que vida é essa ! Estou prestes a me casar com essa criatura, que apesar de toda dor do passado, foi a única capaz de me despertar amor. Não só despertar, mas me fazer aceitá-lo, crê-lo, vivê-lo e me entregar de corpo, alma e coração.

É, essa vida nos prega peças. Se a separação dos meus amigos tão queridos nos impediu de prejudicar nossos futuros, se toda dor sofrida foi para receber com maturidade o amor, então posso dizer que tudo valeu a pena, tudo foi necessário e aconteceu exatamente como deveria acontecer, sem por nem tirar.

 E assim termino de colocar o cadarço no meu All Star, agora branco, sentindo uma enorme gratidão pela vida e feliz com a minha história. História que a partir de agora tomará novos rumos, adentrando a nova fase. E como me sinto?

Cheia de planos, sonhos, expectativas. Feliz, me sentindo amada e sortuda. Me conhecendo e reconhecendo a cada dia. Entendendo um pouquinho mais sobre esse mistério que é a vida e o amor.

Seja bem-vindo Metamorfose 4!