sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila - Parte II



A segunda parte da minha história foi: a minha adolescência em seu auge, entre os 13 e os 15 anos.  Nesta fase em que a vida gira de cabeça para baixo e você se sente o ser mais  incompreendido e desamado do mundo, eis que me deparei com as pessoas que se tornariam a minha segunda família. Foi breve e marcante. Amigos que eu, no momento, imaginava que trilhariam comigo os caminhos da vida a partir dali. Bem, profecia que se realizou apesar de não do modo como todos esperavam. No entanto, mesmo na distância, mesmo levando vidas diferentes, fazendo escolhas diferentes e tendo outros círculos sociais, esses amigos, que se tornaram irmãos, continuaram em minha vida de uma forma única. Não nos víamos mais com frequência, não éramos mais o centro da vida um do outro, mas hora ou outra, sempre aparecíamos. Nas dificuldades nos procurávamos, mesmo após anos, e nestes amigos sempre encontramos abrigo, por mais diferentes que fossem nossas vidas. Belon, Mariana, Bruna e Jéssica, cada um a sua maneira permaneceu na minha vida desde que entraram nela, aos 13/15 anos. Quando em nossa adolescência nos separamos restou um buraco enorme, uma ferida que demorou a cicatrizar e mesmo cicatrizada, nada foi capaz de preencher novamente o vazio. Ter a chance de reuni-los  outra vez e poder recontar a nossa história tem sido algo especial, pelo qual eu jamais esperava. A vida é generosa conosco.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila.


Se a nossa história diz sobre quem somos e muito de pra onde vamos, então é importante lembrar algumas coisas da minha história que são essenciais.

A primeira coisa primordial na minha vida: eu tive e tenho uma FAMÍLIA. Eu tive pai e mãe presentes, incentivadores, carinhosos, colaboradores, fortes e que, acima de tudo, sempre demonstraram amor, amabilidade, preocupação, cuidado, gentileza um para com o outro e para com os filhos. Eu vivi num ambiente de relações amistosas, uma casa tranquila, um LAR. Não quero dizer com isso que tudo eram flores, jamais. Passamos por dificuldades e não foram poucas. Mas em todas elas eu presenciava o apoio mútuo dos meus pais, até em momentos de discórdia entre eles. A paciência, a hora de ceder e de trocar também configuravam essa relação. Havia erro, arrependimento e perdão. Nos tempos mais difíceis, um segurava o outro. Um dava força ao outro até que as dificuldades fossem superadas. Os meus pais não tiveram todos os privilégios que eu tive. Viveram e cresceram e construíram suas vidas em outra época. Seus esforços foram, sem dúvida, dobrados com relação aos meus. Mas graças aos esforços deles hoje eu sei o que é ter um lar. Aprendi que é essencial para a vida termos para onde voltar. O mundo é uma total desordem e lá fora precisamos aguentar, segurar a barra e enfrentar centenas de desafios todos os dias. O lar é o lugar para onde você volta, é acolhido e pode retirar todas as máscaras e armaduras. Pode ser você. É aceito exatamente como é. É ali que nos formamos e nos fortalecemos. É ali que adquirimos forças para voltar para a batalha no dia seguinte. E por mais que ao longo do tempo outras metas e objetivos foram adentrando a minha vida e me fazendo desejar outros horizontes, hoje tenho plena certeza de que de nada valerá  almejar um futuro brilhante de desenvolvimento pessoal, se ao final do dia eu não tiver para onde voltar e me sentir em paz. E, para tanto, não me basta ter uma casa própria e um marido com quem dividir as contas. Mas sim ter um companheiro e um cúmplice para a vida. E este eu já encontrei.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre a Camila e sua reviravolta, Sobre AMOR e LIBERDADE.

É difícil explicar o que deu em mim.

O que deu nessa menina racional, rebelde, feminista que gosta de liberdade. Assim, do nada, resolve casar? 

Casar, ter filhos e um cachorro.

Pois é.

Comercial de margarina? E a monogamia e suas restrições à liberdade? E o casamento e seu contrato social, sua moral ultrapassada, seus valores controversos... E o patriarcado, o machismo que rola nessas relações? E tudo aquilo sobre o ciúme, a posse, a castração?

São muitas ideias pra tão rápida mudança!

Vou tentar explicar, mas não espero convencer, porque o que estou vivendo é apenas vivendo que se entende.

Gente, sabe o que é, é que eu recebi O AMOR.

Preciso dizer uma coisa a vocês: o amor é outra coisa, tão diferente do que a gente pensa, muitas vezes, que é. E sim, minha gente, ele existe. Ele é raro, mas existe. É coisa difícil de explicar, mas não é só balela de livros, poesias e histórias românticas. Na verdade, ele não é nada disso. Nada do que dizem. Nada do que a gente espera. Aliás, a gente nunca espera. 

Nos descaminhos da vida vivemos romances, paixões, algumas histerias. As vezes confundimos tudo isso com amor. As vezes? Quase a maioria delas. 

Mas o AMOR, esse de que vos falo, ele é algo maior e mais sublime que tudo isso, ou tudo isso junto. Aliás, ele está bem acima disso
.
O amor quando dá a gente não duvida, a gente não questiona, a gente não nega, nem renega, nem esconde. Ele se estampa em nosso rosto sem pedir licença, se mostra a quem quiser ver, sem pudores. Ele enche nossos pulmões de ar e colore, sim ele colore!, as ruas por onde passamos, os lugares, as pessoas, o sol e a chuva, os muros e tudo o que está em torno. Ele invade nossas entranhas. Ele transforma a passagem do tempo. Ele aromatiza o ar, o simples ar que respiramos.

Ele não é avassalador. Ele não destrói tudo por onde passa. Ele não nos faz esquecer de quem somos. Ele não nos completa. Ele não nos torna escravos. ELE NÃO NOS FAZ SOFRER, ABSOLUTAMENTE.

O AMOR me invade. O AMOR invade o outro. É RECÍPROCO. O AMOR faz com que juntos potencializemos quem somos, faz nos lançar para aquilo que melhor podemos ser e fazer. No AMOR eu me encontro, eu me revelo, eu sou uma, duas, três, várias!, e no AMOR cabe todas elas. Só NO AMOR é possível a verdadeira liberdade de ser o que é, sem julgamentos, sem pudores, sem vergonhas, sem discriminações, sem ofensas, sem preconceitos. O AMOR nos aceita de verdade exatamente como aquilo que fomos, somos e aquilo que desejamos ser.  O AMOR não me completa, ele me permite ser inteira. Ser corpo, alma, emoção, razão, ser, por fim, HUMANA. O AMOR acolhe com tal generosidade e alegria que ele nos permite errar, nos permite ter falhas, defeitos, sem nos renegar por isso. O AMOR nos faz crescer. Ele quer que cresçamos, que sejamos o melhor que podemos ser, não por uma troca, mas pelo simples fato de ser o crescimento do outro, o meu, e vice-versa. Ele nos acolhe com doçura nos momentos de aflição. Ele vive nossas vitórias com satisfação. O AMOR é encanto, é paciência, é doçura, é calor. O AMOR é uma vontade desenfreada de compartilhar a sua vida, a sua história, o seu mundo com outra pessoa, construindo, daí por diante, uma única história. 

O AMOR me presenteou com a possibilidade de encontra-lo numa única pessoa. Não há mais o que procurar lá fora, pois tudo o que preciso já me foi dado. Qual é a liberdade que procuramos, se não é a liberdade de sermos nós mesmos, por completo? Aliás, em toda busca por liberdade está também a busca por sermos aceitos, do jeito que somos. E é por isso que este amor me cabe. É por isso tudo, que não me sinto com ele castrada, podada em minhas liberdades. Por que nele eu, e tudo aquilo que acredito, se encaixam. Eu continuo sendo feminista. Continuo sendo anticapitalista. Continuo levantando minha voz contra a opressão, o machismo, o preconceito. E este amor me dá a liberdade de fazê-lo por dentro dele próprio também. Porque ele me respeita e me admira enquanto mulher, enquanto pessoa HUMANA, e enquanto tal me permite as possibilidades dessa condição. As contradições sociais que envolvem a vida a dois vão sendo superadas dia-a-dia, porque o que nos rege é o puro sentimento de nos querer bem e o desejo verdadeiro de partilhar a vida, dando-nos a força e a sabedoria necessária para contornar os pontos de tensão. 

Há uma ignorância generalizada sobre o amor. Dos dois lados da força. A classe dominante sofre, mas não desconfia que há algo de errado em sua forma de amar. Já a esquerda tende a renegar todo o amor como criação ludibriadora da força dominante. Sei que vivemos tempos difíceis e isso inclui o relacionamento amoroso. Mas não é verdade que todo ele é castrador. Se o é, não pode ser chamado de amor. E também não acredito em um único tipo de amor, o amor monogâmico como o único verdadeiro. Desde sempre defendo que as pessoas possam viver seus sentimentos e desejos da forma como acharem melhor. Mas EU, que também já não acreditava, fui surpreendida, com um amor, um amor único, com o qual desejo compartilhar e perfazer os caminhos da vida daqui pela frente. 

E sim, vou me casar. Por que não há outra maneira de viver de forma mais intensa esse AMOR que me arrebatou. E nisso não há nenhuma contradição. Sou da liberdade. E descobri que

SÓ O AMOR LIBERTA.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Que pena.. sem querer apaguei todas as imagens do blog. Sem volta. Vai vê já tinha dado a hora delas.