domingo, 29 de novembro de 2009

Ah!

Lendo meus escritos de anos atrás notei algo terrível: a Camila enchateceu.


Pois é. Seus posts eram divertidos. Hoje são tediosos.



Mas a culpa não é minha!

(Só respondo na presença do meu advogado.)



A culpa é da vida! Ela que vai tornando as coisas pesadas, densas, quase intragáveis. Nessas circunstâncias não há como sair por aí fazendo piadinhas sarcásticas da tragédia grega que se instalou em sua vida privada.

(ela só não perde sua mania de exagerar..)



Ah, vai vê é também a idade... só esse ano acho que envelheci uns 10 anos. São tantas emoções...



Foi a impaciência, a ansiedade, a auto-cobrança, depois as crises, então as desventuras em série, a culpa, a queda do sonho, o brusco choque com a realidade, a decepção com a faculdade, a militância, os estudos, a distância, o TCC maldito, concurso, a ansiedade outra vez, a dúvida, a falta de tempo, a saudade, a exaustão.



Aprendi absurdos. Sobre o mundo, especialmente sobre as pessoas, os sentimentos, a vida e seus dilemas.

Aprendi sobre mim, mais do que em qualquer outro momento anterior.



Aprendi a ter mais paciência. Comigo, com os outros.

Aprendi que as pessoas não são deuses, nem demônios. São apenas pessoas. Mas também descobri que a maldade existe. E a bondade também, por sorte.



Relembrei como faz doer a saudade. Como dói amar, perder amigos, se decepcionar.

Descobri que nada é impossível, e que nada é exatamente como imaginamos.

Descobri que ansiedade engorda e estudar demais dá problema na coluna.



Lembrei-me que é preciso alegria pra se viver, pra ser saudável, pra se fazer bem às pessoas.



Percebi que não sou fácil também... que sou cabeça dura, teimosa, birrenta, quero hoje e quero agora, não me satisfaço, sou perfeccionista, impaciente e não gosto de macarronada. E não ouse me apressar!



Descobri que nem sou tão madura como eu pensava... que tem coisas que independem da nossa vontade... e isto vale também para as outras pessoas. que reclamar faz mal a saúde e que auto-piedade é algo terrível. Que as pessoas tem limites e que não adianta esperar delas mais do que elas podem.

Que ter entusiasmo é fundamental para qualquer tarefa que se proponha.



Aprendi que neste mundo se não se cultiva a serenidade você enlouquece. Que a sensibilidade às misérias humanas deve nos manter acesa a chama da inconformidade e a certeza de que se deve lutar. Que apesar do desafortunado momento atual, do recuo dos ideais revolucionários, são poucos, mas existem ainda lutadores e lutadoras convictos, inflamados, admiráveis...

..ainda há pessoas que sonham outros mundos!

Aprendi que apesar da nossa ânsia as vezes o melhor é simplesmente viver e deixar viver.



Depois de tudo fica-me claro o porquê da mudança nos meus escritos... com o advento da vida adulta nem tudo continua sendo passível de piada... A vida cobra, seu futuro está unicamente nas suas mãos. A responsabilidade dobra. As escolhas ficam mais difíceis e mais decisivas. É preciso concentração!



Ah, mas depois de tudo me sinto mais calma, aliviada, sutilmente feliz, apesar de cansada.
E quanto ao enchatecimento, bem aprendi também que as pessoas tem o direito de serem chatas de vez enquando, inclusive pessoas legais em demasia me são bastante suspeitas...

(uai, o anonimo sumiu?)

Exausto


Eu quero uma licença de dormir,
perdão para descançar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
[Adélia Prado]

Van Gogh

sábado, 21 de novembro de 2009

Ouça!!



Esta valsinha me faz flutuar em sonho... Sem dúvida, a primeira da minha trilha sonora. Nenhuma expressa tão bem o meu mais profundo 'eu'.

A vida ensina

Puxa, descobri que a vida nos obriga a aprender até o que não queremos. A ser dissimulada por exemplo. Há alguns meses atrás eu pensava que quando este momento chegasse eu me desmancharia em lágrimas e pediria perdão. Ela já significou muito pra mim. Mas eis que chegou o dia e eu a encarei, de frente, com um sorriso no rosto. Não. Eu não me senti maravilhosamente bem com isto, mas, como eu já disse, era isso ou chorar, e chorar eu não podia de forma alguma. Seria me entregar ao carrasco. Não só a mim, aliás.

Quereres

Quero ir pra Patagônia.

Mas de novo essa estória, Camila?? Você deve estar pensando...


Preciso descançar. E  minha cama não me basta. Quero um lugar longe, quase naõ tocado pela mão do homem, onde eu possa respirar, onde eu possa ser eu, até gritar se quiser. Um lugar tão límpido que nenhuma tristeza ou mágoa ou dor possa adentrá-lo. Lá estarei protegida do mal do mundo, e do mal que eu mesma me proporciono por vezes... E também não quero companhia. Preciso aprender a ser só. No fim, todos estamos sós.
Não é mais uma das minhas crises repentinas. É apenas a necessidade de um momento de introspecção para me curar de alguns acontecimentos que não tem me feito bem.
Quero ir pra Patagônia.
Quem sabe a excentricidade do lugar não pode ser um remédio que cure carencias desmedidas, decepções ainda ressentidas, delicadas paixões mal resolvidas, enfim, que cure toda sorte de males que ferem um coração.
Se esse remédio não existir, o meu precisa ao menos de um tempo.

Ai como estou cansada!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ritmo da Chuva



Olho para chuva que não quer cessar
Nela vejo o meu amor

Esta chuva ingrata que não vai parar

Pra aliviar a minha dor



Eu sei que meu amor pra muito longe foi

com a chuva que caiu

Ó gente por favor pra ela vá contar

Que meu coração se partiu



Chuva traga o meu benzinho

Pois preciso de carinho

Diga a ela pra não me deixar triste assim





O ritmo dos pingos ao cair no chão

Só me deixam relembrar

Tomara que eu não fique a esperar em vão

Por ela que me faz chorar
 
Essa músiquinha é muito fofa.. rs. Fernanda Takai tem uma voz doce que combina muito com a música. Outra que me faz viajar...

MISSÃO CUMPRIDA

FINALMENTE, eu diria.



Mal posso acreditar que concluí meu TCC.





Não sem esforço.. noites a fio estudando..


Não sem abrir mão.. pois é preciso.


Não sem decepções... acontece.


Não aprovado por qualquer professor, mas pelo melhor.


Não sem dívidas.. só tenho uma alma, Ronaldo e Simeire, querem dividí-la??



Não há dúvida, foi um parto. E poderia até dizer que o fiz sozinha, mas não cometeria esta injustiça. Sem o apoio (e paciência!) de certas pessoas, nada teria acontecido, talvez nem o tivesse comemorando aqui agora.



A sensação de "aahh eu conseguiiiiiii!!!!" é inexpressável. Estou satisfeita comigo, feliz e aliviada. Como se tivesse tirado um piano das minhas costas.

Receita

Para transformar algo inicialmente impossível em algo concretamente realizável, descobri!, deve-se adotar, primeiramente, uma atitude mental adequada. A imaginação é imprescindível nessa hora. Misture imaginação fértil com bom humor e com a certeza de que seu bolo irá crescer. Mas para que ele cresça é preciso sova-lo antes, então, mãos à massa! A ação é sempre necessária, afinal, não se come sonhos. Adicione uma grande quantidade de entusiasmo, o máximo que vc tiver disponível. Enquanto o observa no forno, sinta o sabor, a textura, o cheiro, exatamente como ele vai sair, quentinho, do forno!

Esse ano o impossível bateu em minha porta algumas vezes. E sei que ainda há muitos impossíveis por aí a serem conquistados, e o primeiro passo é parar de chorar o leite derramado e adotar uma postura mental mais favorável. Pois lembre-se, Camila, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O dia está chegando...

Eu deveria agora estar estudando para a apresentação do meu TCC que será na quinta-feira. Mas não, sou uma irresponsável que fica escrevendo num blog que só tem meia dúzia de leitores, dos quais o mais assíduo de todos sou eu mesma.

Vou explicar para os outro que restam então. É, explicar o tcc, o artigo MUTAÇÕES NO UNIVERSO EDUCACIONAL, Apontamentos às reflexões de Antonio Novoa.

Vamos lá.

A educação tá só o pó, isto é fato. Logo, surge um monte de gente metida a besta que fica colocando o bedelho onde não deve. Cheios de boas intenções vem nos dizer o que deve ser feito para, como num passe de mágica, tornar a educação um pouco menos ruim. Eles só se esquecem de uma coisa: de onde vem esta tal de crise? Ela é exclusividade da educação? Não, é obvio. A sociedade passa por uma crise, portanto a educação não poderia ficar de fora. Mudanças recentes no mundo do trabalho foi o que a intensificou. A globalização, a reestruturação produtiva e a ofensiva neoliberal são algumas dessas mudanças socioeconomicas que resultaram na mercantilização do ensino, no controle teorio-ideológico dos currículos , na minimização dos recursos destinados à educação, e na deficiente formação dos professores. Os números apontam: a educação vai de mal a pior. Altos indices de analfabetismo e repetencia, além da violência que toma conta das escolas. De quem é a culpa?? Nossos queridos especuladores a despejam sobre os professores. Ah, sim, malditos professores que não querem alfabetizar as criancinhas... Diante disso, aparece um português, influente e conservador, dizendo que a solução da educação está em transformar a escola em espaço público democrático (sic), onde toda a sociedade, (família, associações, empresas, etc, etc.) deverão participar das decisões relacionadas à educação (ou seja, transformá-la num campo de batalha onde cada um luta para impor seus interesses, além do poderoso chefão que tudo pode: o Estado). Nóvoa tem também um certa crença de que o Estado e a política podem, com boa vontade, ajudar na resolução dos problemas educacionais. Enquanto isso, diz ele, os professores devem lutar pelo estatuto socioeconomico da profissão e por uma nova identidade profissional (importante!) para que possam fazer da escola um lugar de formação individual e cidadania democrática.

NO ENTANTO, ao confrontar as idéias de António Nóvoa com a corrente teórica que matriza nosso trabalho, o marxismo, o pensamento de Nóvoa torna-se um pouco problemático...

**Primeiro porque a raiz desta crise que assola, não só a educação, mas a sociedade como um todo, está na divisão social do trabalho, no modo desigual como está organizada a sociedade, ou seja, no capitalismo. Tendo este esgotado suas potencialidades civilizatórias só é capaz de avançar as custas da desumanização, alienação e miséria humana. Portanto, sem romper com o capital, não é possível resolver os problemas sociais e educacionais. Neste sentido, tudo o que o estado e a política podem fazer é adotar medidas paliativas, como reformas educacionais, para amenizar os piores efeitos do capital sobre a educação, porém sem alcançar as causas, isto porque estado e política são frutos do próprio capital, sendo instrumentos de poder da classe dominante, são imprescindíveis para a reprodução do capital. **Além disso, Nóvoa não leva em consideração que a escola serve como transmissora do sistema ideológico necessário para a reprodução do capital.

** Segundo, a idéia de que a finalidade da educação é o exercício da “cidadania democrática”, partindo do pressuposto de que a cidadania é a única forma de fazer a sociedade ser mais livre e humana, também é muito problemática ao passo que a cidadania tem suas bases no ato que funda o capitalismo sendo a forma política de reprodução deste, portanto nunca vai poder ser meio para a verdadeira liberdade humana. A verdadeira liberdade humana só vai acontecer quando o homem se libertar das correntes do capital, ou seja, com a emancipação humana.

** concluímos então que as idéias de Nóvoa são insuficientes pois não buscam os fundamentos da crise educacional, por isso falha nas saídas que aponta para a mesma. Uma mudança significativa na educação requer romper com a lógica destrutiva do capital, e neste sentido, os professores não devem lutar somente pelo estatuto da prórpia categoria, mas deve também se engajar em lutas sociais mais amplas a fim de lutar pela efetiva emancipação humana.

Difícil aprender...

"... a arte de sorrir cada vez que o mundo diz 'não'.."

Não tem jeito.
Adoro a semana da pedagogia. Até volto a gostar um pouco das minhas professoras. Quando vejo a Rosa Maciel cantando torço pra que ela se canse da pedagogia e resolva de uma vez por todas viver da música. E agora, com surpresa, digo o mesmo para a Silvana. E a Tânia.. ah, a Tania linda e elegante, como sempre. Tão sorridente e simpática... chega a dar medo. Aí vem o prof. André, doido, doido... cara estranho. Tem também a Valéria, a Tania precisava dar umas dicas de moda pra ela, mas no fundo ela é uma boa pessoa, apesar de não entender nada de transformação social (ah!. detalhe: a peça chave do projeto pedagógico da pedagogia, segundo o Ronaldo...).

domingo, 15 de novembro de 2009

ARTIGO

MUTAÇÕES NO UNIVERSO EDUCACIONAL:
Apontamentos às reflexões de António Nóvoa

As recentes mudanças socioeconômicas incidiram sobre a educação provocando a atual crise do ensino. Esta é caracterizada, entre outros fatores, pela mercantilização da educação, controle ideológico do trabalho pedagógico e pela profunda deficiência na formação dos professores. Diante disso, António Nóvoa, influente educador português, desenvolve algumas reflexões acerca das mutações ocorridas no universo educacional, onde, fundado em suas convicções democráticas, aponta para a necessidade de renovar a educação como espaço público, apelando para que os diversos setores da sociedade firmem um compromisso social com a educação. O autor enfatiza ainda que, neste novo contexto, os professores devem redefinir sua identidade profissional, encabeçando lutas pela melhoria do estatuto socioeconômico da categoria, a fim de forjar possibilidades de recriar a escola como espaço de educação individual e cidadania democrática. No entanto, considera-se que as reflexões do educador português são insuficientes no que tange aos elementos causais desta crise, a qual se abate não apenas sobre a educação, mas sobre todas as outras instâncias sociais, não sendo capaz, assim, de apontar uma alternativa educacional (e social) significativamente diferente.

Cansaço? Que cansaço??

Criei um mecanismo interno que absorve todo o meu cansaço e o transforma em vontade de concluir a pedagogia e passar no concurso para professor.

Sabe porque??


Por que esse é o início.


Por que eu estudo há 3 anos para ser professora e esta é a chance.

Por que eu não quero ser ATE para o resto da vida.

Por que, sendo professora, terei mais tempo para: estudar, militar, ler.

Por que, como professora me sentirei mais útil, o trabalho terá mais sentido, pois tratarei de pessoas, e não de papéis.

Simplesmente....
Por que é minha vida e se eu não fizer este esforço por mim ninguém mais o fará.

sábado, 7 de novembro de 2009

Firme e forte, Camila?
Sim, como maria-mole...

estudar, estudar, estudar....

Que este esforço seja mui bem recompensado.

Delírio: -praia, praia, sol, mar... repouso, quanto te quero!

O despertador: estude!

A consciência: disciplina!

O coração: bem-me-quer, mal-me-quer...



Serenidade, um casco duro e vitamina C: quem me oferece?

Ah, sim, e colo vez enquando...

O que mais?
Um vento forte que leve meu cansaço...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Caos

Inventamos a linha reta
e queremos que nossa vida
seja uma linha reta.
A Vida não é geometria,
mas uma farra de formas.
Há coisa mais monótona do que o corredor?
Ele é ótimo para as correntes de ar
e os fantasmas.
A vida é um labirinto
cheio de passos e de impasses.
A vida é o caos que o homem tenta
inutilmente disciplinar.
Só o caos é criativo.
A ordem produz rotinas
e é repressora do inédito.
Quando o caos se cansa,
vira ordem.

Valter da Rosa Borges