terça-feira, 31 de maio de 2011

A escola do mundo ao avesso


Há cento e trinta anos, depois de visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela.

Eduardo Galeano - De pernas pro ar -A escola do mundo ao avess

Galeano sempre me deixa de boca aberta, seja pelas denúncias bombásticas ou por sua maneira irônica e sarcástica de tratar as avessalidades do mundo, estas sim, verdadeiras ironias hipócritas e sem vergonha.

Muito interessante o índice do livro, e Galeano consegue recheá-lo de maneira deliciosamente indigesta, pois sim, a intenção do livro não é ser agradável, é incomodar, não é ser cômico porque trata de algo trágico.
Vamos ao índice.

De pernas pro ar -A escola do mundo ao avesso

Programa de estudos

A escola do mundo ao avesso
-Educando com o exemplo
-Os alunos
-Curso básico de injustiça
-Curso básico de racismo e machismo

Cátedras do medo
-O ensino do medo
-A indústria do medo
-Aulas de corte e costura: como fazer inimigos sob medida

Seminário de ética
-Trabalhos práticos: como triunfar na vida e fazer amigos
-Lições contra os vícios inúteis

Aulas magistrais de impunidade
-modelos para estudar
-A impunidade dos caçadores de gente
-A impunidade dos exterminadores do planeta
-A impunidade do sagrado motor

Pedagogia da solidão
-Lições da sociedade do consumo
-Curso intensivo de incomunicação

A contraescola
-Traição e promessa do fim do milênio
-O direito ao delírio


Hora ou outra postarei algumas passagens legais, mas creio que este é um livro pra se ler do começo ao fim.

Um fetiche?


Gentem, fui eu toda empolgada à feira do livro da USP Leste, tudo com 50% de desconto -não poderia perder esta deixa - e fiz a festa! O meu principal alvo foi a Boitempo, a editora dos livros dos pensadores socialistas mais aclamados, verdadeira assaltante a mão armada. Pois foi lá mesmo que me dirigi, com um maldoso sorriso nos lábios, agora te pego, editora socialista de uma figa.... Vou levar este, aquele, este aqui, mais aquele, há esse também! Marx pela Boitempo com 50% de desconto, não tem preço! (quer dizer, tem sim, e foi o valor da poupança de dois meses...)


Outra editora, bacana esta, é a L&PM. Minha vontade era comprar vários, muitos, todos do Galeano que adoro, mas deu só para Dostoiévski, um Galeano de pernas pro ar, Goethe com o Jovem Werther e ... só. Pois antes dela passei na Companhia das letras e trouxe comigo Hanna Arendi, Fernando Pessoa e um lá é... Tudo que é sólido desmancha no ar.. pura curiosidade.

Com o coração da carteira já apertado, ainda faltava o último, indicação de um amigo, estranho, literatura brasileira costuma não ser muito empolgante, mas segundo o amigo esta é obra que se compara aos clássicos. Comprei. Machado de Assim e as Memórias póstumas de Brás Cubas. Veremos. HEHE

Tudo isso porque depois da minha crise com as Ciências Sociais decidi restringir minhas leituras aos quadrinhos divertidos de Calvin e Haroldo........ bem, mas... como sabia que minhas crises passam rápido, achei melhor aproveitar a oferta hahahha.

Claro que não vou ler NADA agora.... (exceto o Galeano...) pois tenho trabalho de ontologiaaaaaaaaaaa (só pra não esquecer...). Bem, o dever me chama.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O por teleológico

o que de saída distingue o pior construtor da melhor abelha é que ele construiu a célula em sua cabeça antes de faze-la na cera.
Marx - O Capital


De acordo com Marx, na atividade vital  "jaz o caráter inteiro de uma spécies, seu caráter genérico, e a atividade consciente livre é o caráter genérico do homem.”(Fleury cita Marx p.180) Consciente pois, diferentemente dos outros animais, o homem toma sua atividade produtiva como objeto de projeção e reflexão, ou seja, ele faz a prévia ideação do objetivo da ação e para efetivá-la requer a apropriação consciente da realidade, tanto da natureza externa, quanto do próprio homem. Neste sentido ele se torna ativo em face da determinação natural e por isso, livre, pois não se prende à reprodução passiva das formas naturais. 
(Ex. besta: a natureza diz ao passarinho: não tem mãos, então jamais poderá segurar uma xícara de chá. E o passarinho jamais o fará. E diz ao homem: não tem asas, então jamais voaras. No entanto o homem voa. )




To fazendo meu trabalho ....

sábado, 28 de maio de 2011

Desabafo

Hoje eu guardei meu violão.
Sim, porque estou com muita raiva.
Eu amaldiçôo esta pós graduação que me meti a besta a fazer! Malditos sejam todos os que querem mudar o mundo. Maldita seja toda a esperança por justiça e liberdade. Malditos sejam os comunistas e mais ainda aqueles que sonham com o paraíso transcendente. Porque a realidade está aqui e ela nos diz claramente: vou acabar com vocês seus miseráveis aaaahahahahhaahhahahhahaha!!!!!!!!
Ontologia do ser social?? Mas que diabos é isso?? Pra que diabos isso serve??? Pra tomar os sábados ensolarados da Camila e transformá-los num castigo entre paredes de uma sala de aula onde alunos vaidosos exibem seus saberes toscos. Eles querem mudar o mundo! Mas são tão pobres e mesquinhos que até podem mudar o mundo... pra PIOR!!!! Amaldiçoo toda briga de ego entre os  pseudointelectuais,  estudantes metidos a sabe tudo,  movimentos fragmentados movidos por pura vaidade... para o beco sem saída. Movimentos sociais, partidos, organizações, grupos, tudo o que compõe a esquerda nos anos 2000 é tosco feito uma toupeira. Alguns, cegados pelo subjetivismo ético, esquecem a lição mais valiosa do seu Mestre todo poderoso MARX: a legalidade do REAL. Burros burros burros. É isso o que Marx diria de vocês. Outros, há, esses nem merecem minhas palavras nem xingamentos, pois crêem no amaciamento do capitalismo, e não existe engodo maior no mundo.
Cansei-me desta palhaçada!
A droga da humanidade não vale o sacrifício da minha individualidade.  Se foi no processo histórico que o mundo virou a grande merda fedida que é hoje, somente no processo histórico ele pode virar algo menos fedido. O tempo não me pertence e tão pouco a história. Se por uma infelicidade do destino nasci num momento obscuro da (pré) história da humanidade, onde “tudo que é sólido desmancha no ar”, não posso escapar das determinações cruciais que este fato impõe à minha vida, pois se aprendi algo em ontologia é que a sociedade determina as possibilidades e limites dos indivíduos e eu não posso ter a pretensão de fugir à regra. Se o indivíduo na sociedade moderna é o sujeito voltado para si mesmo, como mônoda fechada e egoísta, o que que eu posso fazer? Fácil: também me tornar egoísta e parar de me preocupar com o sofrimento alheio! Pronto.  Resolvido o problema.
Hoje estou triste, guardei meu violão. Guardei porque estou fazendo um curso que me obriga a estudar até findar minhas energias, então não me sobra para o violão. Mas eu vou estudar ontologia nem que eu tenha que ressuscitar Lukács pra ele me explicar pessoalmente, e vou concluir esse curso nem que eu tenha que colocar pedras no meu colchão, rasgar minhas cortinas, jogar fora minhas cobertas, não pagar o speedy, despedir meus amigos, tirar na escola de F.A à F.Z., e não adianta chorar, nem espernear, nem se debater no chão, nem contar pra minha mãe. Porque se eu me meti a besta de fazer esse curso de loucos eu vou concluí-lo nem que eu termine louca como ou pior que eles.
Mas depois.... ah, depois quero tudo de volta. O meu violão e as aulas de música, meus amigos e os passeios e as viagens, a internet e o blog, e outros blogs e outros textos que estão só esperando no forno para saírem. Quero meus sábados todinhos só meus, minhas cobertas até o meio-dia, uma linda cortina na minha janela. Quero poesia, quero Shakespeare, quero literatura, cinema e teatro. Quero tudo de volta! Tudo de bom do mundo  que vou abrir mão para compreender as misérias do mundo. Ah, chega de contradições por hoje. Vou escrever sobre a individualidade moderna na sociabilidade do capital que a professora mandou... e até um dia quem sabe!




segunda-feira, 23 de maio de 2011

CELEBRAÇÃO DA AMIZADE

Nos subúrbios de Havana, chamam o amigo de minha terra ou meu sangue.
Em Caracas, o amigo é minha pada ou minha chave: pada, por causa de padaria, a fonte do bom pão para as fomes da alma; e chave por causa de...
 - Chave, por causa de chave - me conta Mario Benedetti.
E me conta que quando morava em Buenos Aires, nos tempos do horror, ele usava cinco chaves alheias em seu chaveiro: cinco chaves, de cinco casas, de cinco amigos: as chaves que o salvaram.

Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços


Os meus amigos, minhas paixões! 

O que seria desta pobre criatura sem esses seres para salvá-la. São meus pada, me alimentam a alma, aquecem o coração, aliviam o peito. São eles, minhas chaves. Alguns me guardam, cuidam, protegem. Outros me abrem as portas, me dão a vida, o céu, e todas as alegrias. Tem aqueles que são gurus, me guiam, aconselham. Tem uns que são palhaços, tiram risos das minhas lágrimas, sarro dos meus dramas. Tenho amigo que é amigo aos quatro ventos, tenho amigo secreto de ligações ocultas e encontros atrás do arbusto. Tenho amigo de msn. Amigo de buteco. Amigo de viagens. Amigo de abraço gostoso. Amigo revolucionário. Amigo amante, amigo de beijos e abraços sem fim.

Estes são meus amigos.

E São todos lindos, indispensáveis, MEUS VERDADEIROS AMORES.

UM BEIJO GIGANTORME DO TAMANHO DO UNIVERSO AOS MEUS QUERIDOS AMIGOS.


Apareceu a margarida

Voltando depois de uns dias fora...
dias dentro...
dos recônditos mais obscuros e claustrofóbicos do meu ser.. (uau).

Ah, minha querida Cecília Meireles me ensinou: Ser como a primavera, deixar-se cortar para poder voltar sempre inteira. Ou Pessoa, que disse: Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui...
Difícil, o exagero me persegue! Por isso voltei. Pois todo sonhador, especialmente os das avessas, deve por no chão os pés.

Agora sabem o que quero??

BOLO DE FUBÁ!!



É simpatia contra dispersão
Rejeição, desilusão
As sete ervas dos bons caminhos
Arruda ajuda
Quem disse que faniquito não cura
Quem disse que açúcar e afeto não podem curar

A vó dizia que era perfeição
Tradição e evolução
Era o bolo que todos gostavam
Do Flamengo ao Corinthians
E a molecada espalhada voltava
Tinha o dom de agregar quem brigava

Traz amor em três dias
Ou o seu dinheiro de volta








Não, não é cansaço... 

Não, não é cansaço... 

É uma quantidade de desilusão 
Que se me entranha na espécie de pensar, 
E um domingo às avessas 
Do sentimento, 
Um feriado passado no abismo... 
Não, cansaço não é... 
É eu estar existindo 
E também o mundo, 
Com tudo aquilo que contém, 
Como tudo aquilo que nele se desdobra 
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê? 

É uma sensação abstrata 
Da vida concreta — 
Qualquer coisa como um grito 
Por dar, 
Qualquer coisa como uma angústia 
Por sofrer, 
Ou por sofrer completamente, 
Ou por sofrer como... 
Sim, ou por sofrer como... 
Isso mesmo, como... Como quê?... 
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. 
(Ai, cegos que cantam na rua, 
Que formidável realejo 
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo. 

Confesso: é cansaço!..




Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de maio de 2011


pensando em não pensar...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Fullgas - Marina Lima



Marina Lima esteve no CEU Jambeiro esta semana. Surrupiei os convites que meus pais ganharam e lá fomos eu e a Aline ver Marina Lima. Muito bom!

Um resumo

cAMILa: cansada, doente, PREGUIÇOSA, desanimada, Saúde ruim, sem vontade.

Será o frio?
Será fraqueza?
Será doença?
Será chatisse?
Será falta do que fazer?

Sei la.... nem quero saber. Quero dormir.

Preciso estudar, ler, pensar. Preciso planejar, organizar, arranjar, inventar, fazer. Preciso fazer conta, fazer academia, fazer diário, fazer texto de ontologia, fazer exame. Preciso tomar vitamina, tomar água, tomar vergonha na cara. Preciso marcar dentista, cabeleireiro, oftalmo.

Mas de tudo o que eu  estou realmente NECESSITANDO, é de uma viagem de 20 dias à São Tomé das Letras... Meus amigos por perto e uma erva da boua hahahahhaha.

A erva da boua é brincadeira tah.

Boa noite.

domingo, 1 de maio de 2011

Pelos céus!

CHOQUEI!

Jisuiiissssss, Virgem Maria, Ogun, Iemanja, chamem o Olimpo inteiro, pois aqui na terra a Bruxa tá solta quando o assunto é minha vida afetiva!!!!
Por Zeus!
Será que atirei pedra em Maria Madalena? Colei babaloo na cruz?? Desconjurei Romeu e Julieta???
Socorre-me Inês de Castro!
Porque cruzam o meu caminho tanto indolente? Será azar o meu ou complô dos Deuses contra minha pobre pessoa?? Será esta sociedade bandida que corrompe todo amor? Que faz das pessoas (homens, no meu caso) cafajestes descarados indigestos intragáveis??? Pois que Deus me proteja dos peçonhentos!

Justo eu, que já nem sonho com príncipe encantado, com o amor eterno até semana que vem. No meu caso, um humilde sapo já me bastaria... desde que tenha pegada, é claro..hehe.. Até um lobo mau ia bem, a comparar com os supostos "homens" ou "rapazes", talvez MOLEQUES, ou seres despresíveis, caberia melhor, que me aparecem...

Mas ainda assim eu tenho fé na minha mandiga, como diz o Baleiro "Sou fio da véia e a véia tem força na encruzilhada"... hehehhehe Que Afrodite me proteja hahahhahah

***

chocante
(francês choquant)
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
Que fere; desagradável, ofensivo.

Agora falando sério. As pessoas nos surpreendem, para o bem e para o mal. São capazes de atitudes lamentáveis e inacreditáveis. Depois levam um tiro e ninguém sabe o porquê. Calma, eu não tenho planos de esfacelar, esquartejar ou degolar ninguém. Hahahah.. Mas, voltando ao assunto sério.. Torna-se cada vez mais difícil saber em quem confiar, a quem abrir nosso coração e de quem esperar coisas "desacreditáveis".