terça-feira, 29 de junho de 2010


FRAGMENTOS

Ali estávamos,
partidos em mil pedaços,
estilhaçados em mil partidos.
Ali estávamos.

Foi quando
minha dor encontrou a tua,
ali doendo em minha alma,
alma que havia se exilando em ti
sentindo minhas dores.

Foi então que não sabia
se sentia tuas dores em minha alma
ou tua alma em minhas dores
Eu no outro, o outro em mim

E antes que nos apercebêssemos
ao nos perceber um ao outro
nossas dores em um só corpo
nascíamos unidos de novo.

[mauro iasi]


Faço minhas as palavras da Nilceia, amiga, camarada, militante..


Quando chego na universidade, me reafirmo, me alimento de ânimo, troco forças, sorrisos doloridos, sentimentos reprimidos, revoltas também explodem. Compartilhamos idéias e experiencias mil, é uma loucura cheia de prazer, e em meio a tantos não, decreto um sim.  





Sim! para a pesquisa, para a realidade, para o conhecimento, para a história da nossas vidas e vindo o que vier não vou me arrepender.




Agora choro!

-Por que? Pela satisfação de conhecer pessoas que fazem parte da minha vida com um papel fundamental e nem sabem e não quero que isso acabe assim sem lutas, quero ao menos dizer que eu tentei junto convosco. É muito bom te-los nesta luta, eu com voces, voces comigo.É isso aí, galera militante dos cursos: História,Geografia,Pedagogia,S.Social,Psicologia,Letras,metrô,sindicatos..



ISSO HUMANIZA, E POSSO DIZER QUE DEPOIS DISSO NUNCA MAIS SEREI A MESMA.


...e nascíamos unidos de novo...

O sono

A noite cai, a madrugada e o silêncio e.. nada do sono vir. Teimosa, deito, afinal preciso dormir, ando com olheiras horríveis.
Ai que sono barulhento! Era sarau, greve, pão e rosas, CA, apeoesp, movimento estudantil, trabalho do ronaldo, blog, exame da valéria, fim da facul, concurso, e outras coisas que nem ouso citar, eles me perseguiam como um enxame maldito de abelhas barulhentas e furiosas... céus! Da próxima fico acordada, pelo menos assim a consciência me mantém longe desses fantasmas...


ou talvez não...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Procura-se

Os livros largados às traças
Os dvds, intocados, começam a acumular pó
A caixa de entrada do email prestes a explodir
O telefone...ela não está
O armário numa zona labiríntica
O quarto, em breve interditado pela vigilância sanitária
Blog abandonado
Exames não feitos, consultas perdidas
Trabalhos a entregar, apostilas sumidas
A cama desarrumada
O cabelo ressecado
As unhas?? Nem falo...

Por onde anda a dona desta desordem?!

domingo, 27 de junho de 2010

Pela Janela

Não sei
se é a vida
que me escapa
ou me adentra
pela janela arrebatada
a vida mesma.

iasi
Não sai uma linha... não adianta, sai fumaça, lagartos, mas não sai uma linha sequer da minha cabeça... é estranho não conseguir escrever, estou me sentindo manca de uma perna. Logo agora, quando tantas coisas acontecem, desacontecem, se embaralham e reviram, cheias de nós, vai e vens...

Uhn, pode ser que seja por isso, tanta coisa acontece que as palavras andam não me cabendo... Ou ainda não digeri tudo e dessa forma não consigo me ajustar a elas.. Seja como for, espero que seja só uma fase (mais uma) e que passe rapido, imagine eu nunca mais conseguir escrever?? Morreria engasgada com as palavras não ditas..

quarta-feira, 23 de junho de 2010





O QUE FOI FEITO DE VERA
O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida, o que foi feito do amor?
Quisera encontrar aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade, falo assim por saber
Se muito vale o já feito, mais vale o que será
Mas vale o que será


E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza, falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer
Nós iremos crescer, outros outubros virão
Outras manhãs, plenas de sol e de luz
Alertem todos alarmas que o homem que eu era voltou
A tribo toda reunida, ração dividida ao sol
E nossa Vera Cruz, quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par
Quando o cansaço era rio e rio qualquer dava pé
E a cabeça rolava num gira-girar de amor
E até mesmo a fé não era cega nem nada
Era só nuvem no céu e raiz
Hoje essa vida só cabe na palma da minha paixão
Devera nunca se acabe, abelha fazendo o seu mel
No pranto que criei, nem vá dormir como pedra e esquecer
O que foi feito de nós
VOLTEI!

Não, eu não estava por aí nas trincheiras fazendo a revolução... (ainda)

Eu toparia faze-la, mas só depois de umas férias, puxa, estou realmente cansada. Por isso o distanciamento do blog. A mente travou, dias passaram sem que eu conseguisse escrever uma só linha. A não ser o que era de minha obrigação: http://www.meunicastelo.blogspot.com/

A greve, os atos, o movimento estudantil...essas coisas aguçam os espíritos revolucionários, os desejosos por mudança, os que já não suportam este mundo...fica todo mundo fervendo. Unicastelo? Queremos mudar o MUNDO...

Mas depois esfria. As coisas se acalmam, ainda que não resolvidas por completo, as pessoas voltam as suas rotinas e parece que tudo tende a voltar a ser a bostinha quadrada que era antes... não suporto. Triste. Triste ver os rostos cansados, a fala rouca e mansa, o desanimo, a falta de entusiasmo, tomarem conta daquelas figuras tão vivas, fortes, determinadas e de espírito livre que tivemos o prazer de vislumbrar dias atrás. Mas engana-se quem vê aí um ponto final. Tem coisas que podem não estar visíveis aos olhos, no entanto estão presentes e ainda pulsantes dentro das pessoas que viveram estes momentos intensos... o que aprendemos, descobrimos, conhecemos, as amizades construidas, são coisas dum tamanho tal que eu ainda não posso mensurar... essas 'coisas' ninguém nunca levará da gente... a indignação frente as injustiças, sinto, cresce a cada dia dentro de nós, e uma mínima fagúlia pode nos reavivar, mas dessa vez mais fortalecidos....

terça-feira, 1 de junho de 2010

Elogio do Revolucionário

Quando aumenta a repressão, muitos desanimam. Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário,
pelo pão e pela conquista do poder.
Interroga a propriedade: De onde vens?
Pergunta a cada idéia: Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala.
E onde reina a opressão e se acusa o destino, ele cita os nomes.
À mesa onde ele se sentasse senta a insatisfação.
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde o vai a revolta
e de onde o expulsam persiste a agitação.



Bertolt Brecht

Camarada...

o q vem acontecendo na unicastelo tem feito muito na minha vida mudar, até a forma de encarar a própria militancia está mudando... é diferente quando vc se sente responsável, quando a coisa almejada depende de vc e de seus esforços e da cumplicidade dos que estão na mesma luta que vc.. o sentido de 'camarada' floresceu de verdade, não só o entendi pela razão mas agora posso sentí-lo... as coisas fazem mais sentido agora... o que estou vendo acontecer na castelo é a consciencia coletiva dar um salto gigante em poucos dias... sábado reunimos 35 estudantes de 8 cursos numa reunião que foi das 11h as 17h!!! Nos organizamos e na reunião que realizamos hoje tinhamos 45 pessoas representando 9 cursos. Numa universidade onde NUNCA existiu movimento estudantil, é surpreendente ver o que está acontecendo....imagine que no nosso ato tinham cerca de 600 pessoas!!! então, me fizeram pensar... na revolução... imprevisível... mas agora tenho mais certeza do que nunca: possível. Veja, até então estava tudo pacato, imóvel, as pessoas conformadas, quietas em suas bolhas particulares, e, de repente, algo inesperado acontece e faz elas sairem de dentro das bolhas e se unirem por um propósito comum, no caso, a defesa da nossa universidade... imagine numa revolução!!! Se ontem nesta facul eu podia contar com apenas 3 amigas, hoje tenho caramadas, companheiros de luta, de 9 cursos diferentes!! Conheci pessoas incríveis, inteligentes, com um potencial imenso!! E muito me orgulho de estar ao lado dessas pessoas lutando para forjar o movimento estudantil na nossa universidade. Essa é a história da unicastelo.. história esta que NÓS estamos ajudando a construir, onde nos colocamos como sujeitos ativos de fato, e não mais apenas nos discursos e nas provas em sala de aula. E não só, estou fazendo a MINHA história, me assumindo enquanto classe e lutando por aquilo que acredito: a possibilidade de um mundo diferente, mais justo, mais humano.