terça-feira, 8 de março de 2011

8 de Março

Na fogueira
daquela fábrica
onde arderam
as meninas.

Nas fogueiras
destas fábricas
onde ardem, ainda,
as herdeiras desta sina.

Na fogueira
onde queimaram
nossos sonhos
tuas cinzas.

Nas fogueiras
queimam ainda,
como antes
bruxarias.

Na fogueira
preconceitos
invisíveis
queimam ainda.

Nas fogueiras
as meninas
pernas nuas
pelas ruas.

No fogo
em teu rosto
feito brasa
e hematoma.

Na fogueira
do teu sexo
que vestes
quando nua.

Das fogueiras
onde queims
tanta fúria
assassina.

Deste fogo, prometemos,
libertaremos
os teus sonhos
nossas filhas.

Este fogo
não se esquece:
nos aquece,
nos anima.

mauro iasi

2 comentários:

Marlene disse...

belo poema! desse fogo não se esquece, nos aquece, e pertence nossa sina! beleza : teu nome é mulher...sou muito orgulhosa de ser mulher! bjs

PazCyn disse...

Muitoooo bom!!!