domingo, 24 de maio de 2009



Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.

[Cecília Meireles]

É uma necessidade um tanto estranha, devo concordar. Mas o fato é: quando estou mal, antes de voltar à vida, devo mergulhar nas profundezas do inferno do meu ser (sim, pois se existe um inferno, este está indiscutivelmente dentro de nós mesmos), para, então sim, voltar renovada, com força, inteira.
Sábado: podia jurar que estava morta, ou, no mínimo, prestes a. Se vozes profundas do meu ser clamam para que eu me esconda embaixo da cama e chore desesperadamente, porque não fazê-lo? Pois, bem sei, se mando esta voz se calar e engulo o choro, ela se vingará cruelmente transformando a angústia e o medo em dois fatores estáveis e contínuos em minha vida, de forma a fazer-me morrer lentamente... Se o sofrimento é inevitável, ora, pois então que me corte em pedaços de uma só vez para que eu possa voltar inteira!

Após uma longa visitinha ao meu inferno pessoal e um período de reflexão, algumas considerações:

*Não sou tão fraca assim, como pensava e me sentia, e quanto mais assim pensava, mais assim me sentia.

*O medo são como os Baobás (vide Pequeno Príncipe), se não os arrancamos assim que começam a despontar, eles crescem rapidamente e tomam conta do nosso mundo.

*Pensamentos ruins me fazem ter sentimentos ruins. Sentimentos ruins acumulados resultam em crises de pânico (descobri: por mais que estas se dêem aparentemente sem motivos concretos, elas tem sim, indubidávelmente um motivo, ou melhor, um acúmulo de motivos - o tal efeito bola-de-neve - )

*Sou perfeccionista e controladora ao extremo (entenda assim: até o movimento dos astros eu desejo controlar), com o acúmulo de tarefas com as quais me comprometi este ano, passei a não conseguir controlar e fazer tudo perfeitamente como gostaria (ah, camarada, obrigada por me fazer enxergar aí um ponto bom dizendo-me: esta é uma atitude revolucionária, como a de Rosa, dedicar-se a tudo apaixonadamente, fez eu me sentir melhor ;) ), o que resultou em sentimentos como: incapacidade, impotência, fraqueza, culpa, raiva e medo, muito medo de não conseguir realizar nada do que tinha me proposto a fazer. Sempre quando algo não saía exatamente como eu queria, todos estes sentimentos me invadiam e sem que eu percebesse, eles se acumulavam dentro de mim, formando uma bola-de-neve. Nenhum organismo aguenta tanto peso, daí as crises como válvula de escape.
Parabéns, você entendeu tudo! Os fatos, as causas... Agora a pergunta crucial: (camarada, você podia ser terapeuta!! haha)

QUE RESPOSTA VOCÊ ESTÁ DANDO A TUDO ISTO???


Ahhhhh sim, aí é que está o problema, realmente!! Percebi que não estava dando poha de resposta nenhuma! Estava sim, deixando-me consumir por todos estes sentimentos ruins e mais a idéia terrível de estar com algo descontrolado dentro de mim (a síndrome, Dr. Simone bem me avisou "não se prenda a diagnóstico! Se tem algo errado temos que resolvê-lo" - toda razão, a 'idéia' de estar com algo que você não pode controlar, uma síndrome, é desesperador, e eu não segui os conselhos dela...). Deixei que isto consumisse minha força, minha paciência, minha vontade, minha capacidade, minha auto-estima, enfim, A MINHA PAZ.

Remédios?? De início me agarrei a eles como se fossem a salvação. Pois já disse que tenho anjos! Dyodyu, meu bem, fez-me entender que a crise era apenas o sintoma, os remédios podem controlar os sintomas, mas não resolvem o problema porque não chegam à causa. Sim, a causa. Se a causa é emocional, ela é interna. Se ela é interna ninguém pode entrar dentro de mim e me fazer o favor de resolvê-la (se fosse possivel, com certeza este alguém seria muito bem vindo). Por isso disse anteriormente que somente eu poderia resolver, isto não significa que outras pessoas não possam me dar "uma luz" vez enquando (entende agora, camarada?), por isso não esquecerei de, ao final, fazer os devidos agradecimentos.

Algumas pessoas, hora ou outra, foram me dando "dicas" para possíveis respostas ( não me trouxeram o Sol, mas me emprestaram uma lanterna ;) ). E sobre estas eu pensei e refleti.
* Para o acúmulo de tarefas: devo fazer algumas escolhas, pois não tenho braços suficientemente longos para poder abraçar o mundo assim como andei tentando fazer (limites, você tembém os tem sabia, D. Camila?). Preciso definir o que, neste momento, se faz prioridade, para assim eliminar algumas tarefas da minha pequena lista de preocupações. (ai, confesso que será difícil escolher, mas é preciso)

* Quanto ao fato de ser controladora e perfeccionista e o quadro de sentimentos angustiantes que estes traços geram, pensei (com ajuda ;) ) e cheguei à algumas conclusões:

- Lembrar-me que não estou livre das circunstâncias
se algo não saiu como eu desejava, logo me sinto incapaz. Mas, me fizeram pensar, se as circunstâncias fossem outras, eu seria capaz de fazê-lo? Ah, Sem dúvida! Se tivesse mais tempo, e não tivesse outras preocupações, eu o faria melhor, com certeza (lembrei-me do trabalho do hedonismo que pude me dedicar integralmente e fiquei muito feliz com o resultado). Ohh, então descobri uma coisa importante: o problema não é falta de capacidade.
Logo, não devo deixar de fazer as coisas da melhor maneira, mas, quando não me sentir plenamente satisfeita com o que fiz, devo entender que, diante das circunstâncias, do momento, dos fatos, esta é a melhor resposta que posso oferecer. (sim porque, como todo mundo, não tenho plena liberdade, mas sou condicionada por diversos fatores. Puxa, eu mereço um grande parabéns, acho que finalmente entendi o que alguém tanto insistia: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” )
R. DAR A MELHOR RESPOSTA DENTRO DAS MINHAS POSSIBILIDADES.
Isso me ajuda a não me sentir completamente incapaz, impotente e culpada, vou me cobrar menos, exigir menos, o que pode aliviar um pouco as tensões.
Outra coisa que entra aqui também é quanto a me preocupar demais com as expectativas das outras pessoas. Se elas acreditam em mim e na minha capacidade, que ótimo, só não devo fazer disso 'mais uma responsabilidade: não decepcioná-las', mais uma vez devo lembrar que farei o possível dentro das minhas possibilidades, não tenho o dever de corresponder as expectativas alheias, no máximo, devo me comprometer com as minhas expectativas em relação a mim mesma, o que já não é pouca coisa. (!!)

-Lembrar-me com frequência das coisas boas que tenho na vida
Remetendo-me a Rosa, devo fazer um inventário de todas as minhas riquezas, para notar o quanto sou rica! E não digo riquezas aquelas que podem ser trocadas por metal. Mas riquezas verdadeiras. Pessoas queridas, que me amam, se preocupam, me ajudam, essas são verdadeiros tesouros! Vejo agora, e você também deve ter notado ao longo deste 'pequeno texto', o quanto a ajuda de algumas pessoas foram e estão sendo fundamentais. Não somente quem me fez pensar, mas quem me acolheu, me deu a mão, mais que isso, me segurou nas mãos quando eu desfalecia (não é Aline? Querida Aline, com quem eu tanto brigo, mas que me é tão importante nesta vida!). E também as possibilidades, as grandes possibilidades que se abrem, devo reconhecê-las como algo de bom, que eu tanto desejei e que agora estão quase que brotando da terra, a estas devo agradecer e não temer!!! Nas palavras de Rosa: SOU RICA E CONTINUAREI A SÊ-LO PARA SEMPRE.

-Se estou recebendo algo de bom, devo sentir-me merecedora
Meu eu está tão culpado e sentindo-se tão rebaixado (percebi que estou sentindo quase como um Elfo Doméstico (vide Harry Potter hahaha) que quando algo de muito bom surge, me invade um pensamento/sentimento "puxa, mas sou tão idiota que não devo merecer tanto!" ou " não sou capaz, é muito para mim". Que falta de confiança!!! Isso faz eu me sentir tão mal! Como se eu não merecesse coisas boas. Ora, porque não mereço??? Quem disse que não mereço??? Se está acontecendo é porque mereço sim, EU MEREÇO O MELHOR, pois em tudo o que faço dou o melhor de mim, então, porque não mereceria, também, receber o melhor? Ora, que tolice!!!


- Permitir-me errar
Você não é super-herói, é ser humano, e seres humanos erram, erram porque não são perfeitos, erram porque possuem limites, erram porque são seres em eterna construção, erram porque nem sempre é possível acertar, enfim, SERES HUMANOS ERRAM, entende, Camila?? Se você errou não significa que é incapaz de acertar, não significa que é incompetente, não significa que não deu o melhor de si, se errou é porque simplesmente erros acontecem, todos estão propensos a errar, ninguém erra porque deseja! Lembre-se de Shakespeare: "O MAIOR ERRO QUE VOCÊ PODE COMETER É O DE FICAR O TEMPO TODO COM MEDO DE COMETER ALGUM!"

Mudar a forma de encarar alguns fatos da vida, é este o segredo, a resposta. Depois de refletir sobre tudo isso quem sabe eu não consiga dar respostas mais significativas a este momento tão delicado da minha vida, não é mesmo?

Agora, os devidos agradecimentos:
Minha mãe (pela gigante paciência ^^), Aline, Letícia, Simeire, as colegas dos posto ;) , Dyodyu, o amigo camarada (Luis!), Mari, obrigada! Seja por me ouvirem, me aconselharem, de darem colo, por terem tanta paciencia, OBRIGADA!!
Sintam-se abraçados por uma enorme gratidão!!


"Porque amigos são anjos que nos carregam quando nossas asas estão machucadas"

=0)


Um comentário:

Anônimo disse...

O que dizer???
Você é quem entendeu tudo!!!
A única coisa que me vanglorio dessa história, é minha capacidade em reconhecer potenciais revolucionários.

Fico muito feliz por vc Camarada

Bjo