Camarada e Amante
Carta 57
[Prisão de Zwickau]
Sexta-feira
23 de setembro de 1904
[...] É insano e anormal que você esteja levando uma vida tão solitária, eu realmente não aprovo. Minha atual posição faz com que eu odeie um tal "ascetismo" mais do que nunca. Aqui eu fico me agarrando à vida, a qualquer centelha de vida, a cada raio de luz, a cada nuança dos folhetins e das resenhas de teatro do Berliner Tageblatt. Prometi a mim mesma viver a vida plenamente logo que esteja em liberdade e você, você simplesmente fica sentada aí, numa superabundância de opulência e, como Santo Antonio no deserto, vive de mel selvagem e gafanhotos! Você se transformará numa bárbara, minha querida menina, e quando eu sair da prisão sua palidez nazarena se chocará violentamente com minha pujança helênica!
Você quer que eu descreva minha cela, não é mesmo? Não é um pedido fácil de atender, my darling. Onde encontrar pincéis e tintas capazes de fazer justiça a esta riqueza! Acabo de anotar na parede um inventário hectográfico de minha cela e, para minha surpresa, descobri que há uns vinte objetos aqui. E estava convencida de que a cela era totalmente vazia! Moral da história: quem quer que sinta a pobreza se abater sobre si, deveria se sentar e fazer um "inventário" de suas posses terrenas, apenas para descobrir como é rico. Você deveria fazer, com frequência, um inventário de sua riqueza e, se não se esquecesse de incluir minha modesta pessoa, como infelizmente faz inúmeras vezes, você se sentiria um Creso. [...]
Muitos, muitos beijos.
Sua R.
Rosa Luxemburgo - simplesmente incrível, encantadora! Se eu fosse fazer um inventário de minhas riquezas, esta apaixonante revolucionária entraria como minha maior "inspiradora"! Sua atividade política, sua contribuição aos esforços emancipadores da humanidade, sua atitude para com a vida em todas as dimensões, como ela mesma diz "viver cada momento da vida em humana plenitude", permite que eu concorde plenamente com o que me disse um amigo e camarada ;) : ser revolucionário é ser o tempo todo!
Não haveria momento mais apropriado para ser presenteada com o livro Camarada e Amante - Cartas de Rosa Luxemburgo a Leo Jogiches. (Queridíssimo Dyodyu, como és sensível!)
Como boa aluna que sou (cof cof), farei de tudo para apreender o máximo que puder dos ensinamentos de Rosa. 'Rosa se põe toda, apaixonadamente, nos diversos planos de sua vida: no estudo dos problemas teóricos, na militância política e - não menos - na relação amorosa.'
Ah, me alimenta o espírito!
Mais feliz fiquei quando vi no último jornal do Pão e Rosas um Especial Rosa Luxemburgo - cliquem e descubram um pouco mais sobre 'uma das mais célebres dirigentes revolucionárias de todos os tempos.'
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