domingo, 16 de novembro de 2008

Resolvendo questões (de vida ou morte)

O mais difícil é entender que, por mais eu me importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

Meus professores prosternaram-se frente à minha angústia e se propuseram a responder algumas de minhas perguntas (de vida ou morte) e acalentar meu inquieto coraçãozinho.

Professor:
_ Talvéz você tenha vivido num ambiente, ou acontecido algum fato em sua vida que favoreceu esta percepção e indignação... você tem que entender que nem todas as pessoas tiveram esta oportunidade, talvéz o que elas viveram as levou a se preocuparem com outras coisas...

Pensando nisso lembrei do meu pai.

Hoje ele reclama que estou muito crítica e diz para eu parar de me preocupar com as "questões sociais" e viver minha vida.
O que ele não sabe é que tem grande parcela de culpa aí, pra minha sorte.

Pra minha sorte sim, tive um pai que não me incentivava nem um pouco a assistir Xuxa, Angélica ou outros produtos loiros que andavam às soltas quando eu era criança.

  • Era ele que não me deixava vestir mini-shorts e rebolar com os É o Tchan's da vida...
  • Foi ele que, enquanto ateu, não me fez frequentar igreja nenhuma, seguir religião alguma, deixando isso a meu critério.
  • Ele tinha uma criticidade aguçada e me passou a herança sem perceber.
  • Ele me incentivou a ouvir música de qualidade, a me interessar por leitura, a me questionar sobre a vida, sobre o mundo e a sociedade.
  • E, me lembro bem, desde os primórdios de minha existência ele fazia questão de me chamar com ele para conferir quantos livros ele já havia lido, e mais, me apontava todos os que eu devia ler, deixando uma sutil sensação de obrigação.

E não eram quaisquer livros! O Príncipe, de Maquiavel, A Metamorfose de Kafka, A Revolução dos Bichos... são livros que tantam nos tirar da alienação!

Se sou o que sou hoje muito devo a ele e muito tenho a agradecê-lo.

Mas, depois de tudo, hoje ele vem dizer que me deserda se eu entrar para faculdade de Ciências Sociais! Que contraditório!

O que mais me espanta é ver que ele, antes tão crítico, agora resolveu se conformar. Como pode???
Temo ter esse fim!!!
Por isso nunca quero sair deste "ambiente intelectual " que tem a faculdade, pois sei que lá sempre terá algo que me fará despertar a indignação, não me deixando apegar-me a discursos conformistas e deterministas.

(as respostas dos meus profs às questões insolucionáveis continua logo mais...)

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