"Pátrias, famílias, religiões
E preconceitos: quebrou não tem mais jeito!
Agora descubra de verdade o que você ama..."
Para encerrar o assunto postarei algo que recebi de alguém que muito admiro, que teve tamanha sensibilidade para perceber as minhas angústias e me presentear com esse texto. Para você pode não fazer muito sentido, mas para mim fez toda a diferença.
O texto se trata de um trecho de uma carta escrita na prisão por Rosa Luxemburg dirigida à Luise Kautsky, em 1917.
"Perdeste decerto o gosto pela música temporariamente, como de resto por muitas outras coisas. A tua cabeça está cheia de cuidados por um mundo cuja história se distorceu... Todos os que me escrevem suspiram e se queixam. Isso é demasiado estúpido. Não compreendem que o fracasso geral é demasiado grande para nos lamentarmos?... Posso aborrecer-me se a Mimi fica doente ou se alguma coisa te acontecer. Mas se todo o mundo se desarticula, então procuro compreender o que aconteceu e porque aconteceu, e se cumpri o meu dever de novo me sinto aliviada. E recupero novamente tudo aquilo que me agrada: a música e a arte e as nuvens, a observação das plantas na Primavera, os bons livros, a Mimi, tu e muitas outras coisas... Sou rica e penso que continuarei a sê-lo para sempre. Abandonarmo-nos completamente às calamidades do momento é intolerável e incompreensível. Pensa com que serenidade Goethe observava as coisas. E recorda-te daquilo por que passou: a Grande Revolução Francesa - que vista de perto deve ter parecido nada mais do que uma farça sangrenta e essencialmente inútil. E depois, entre 1793 e 1815, uma cadeia initerrupta de guerras até o mundo se parecer novamente com uma casa de malucos. E com que calma e serenidade intelectual continuou seus estudos sobre a metamorfose das plantas, a cromatologia e mil e uma outras coisas! Não espero que escrevas poesia como Goethe, mas podes adotar sua atitude para com a vida, a sua universalidade de interesses, e a sua harmonia interior - ou pelo menos podes tentar atingi-la. E se disseres: mas Goethe não era politicamente ativo, então responderei que um lutador político deve ser capaz de se colocar acima das coisas com urgência ainda maior, ou afundar-se-á até as orelhas nas trivialidades da vida de todos os dias."
Que sensibilidade! E eu que me encontrava aflita por não conseguir resolver as tantas questões que as aulas dele deixaram em aberto, questões que pensei que ficariam no ar, sem respostas, isso me angustiava. Pode parecer idiota, mas eu me importo...
Eu até gostaria, mas não consigo fingir que o que eles falam não chega aos meus ouvidos, não atinge meus sentimentos. Tomar consciência, como bem disse a professora Tânia, dói, não é um processo fácil... Mas me senti um pouco mais aliviada depois das conversas e desse texto e por perceber que eles também se importam.
Guardarei com muito carinho.
Quero também deixar claro que, apesar de eu sempre brincar falando da paixonite platônica pelo professor, o que eu sinto não ultrapassa os limites da admiração, como já disse aqui, ele é um exemplo, um modelo a ser seguido, e, aliás, desconfio que minha paixão, na verdade, é sobre tudo aquilo que diz respeito ao mundo, a sociedade, aos homens... isso sim me apaixona!
Mas não nego que sou encantada por suas aulas e que por mim ele podia ministrar todas as diciplinas do curso! Só de pensar em não ter aula com ele ano que vem já me desanima... quem mais vai me mostrar as verdades do mundo??!
Ah..
E preconceitos: quebrou não tem mais jeito!
Agora descubra de verdade o que você ama..."
Para encerrar o assunto postarei algo que recebi de alguém que muito admiro, que teve tamanha sensibilidade para perceber as minhas angústias e me presentear com esse texto. Para você pode não fazer muito sentido, mas para mim fez toda a diferença.
O texto se trata de um trecho de uma carta escrita na prisão por Rosa Luxemburg dirigida à Luise Kautsky, em 1917.
"Perdeste decerto o gosto pela música temporariamente, como de resto por muitas outras coisas. A tua cabeça está cheia de cuidados por um mundo cuja história se distorceu... Todos os que me escrevem suspiram e se queixam. Isso é demasiado estúpido. Não compreendem que o fracasso geral é demasiado grande para nos lamentarmos?... Posso aborrecer-me se a Mimi fica doente ou se alguma coisa te acontecer. Mas se todo o mundo se desarticula, então procuro compreender o que aconteceu e porque aconteceu, e se cumpri o meu dever de novo me sinto aliviada. E recupero novamente tudo aquilo que me agrada: a música e a arte e as nuvens, a observação das plantas na Primavera, os bons livros, a Mimi, tu e muitas outras coisas... Sou rica e penso que continuarei a sê-lo para sempre. Abandonarmo-nos completamente às calamidades do momento é intolerável e incompreensível. Pensa com que serenidade Goethe observava as coisas. E recorda-te daquilo por que passou: a Grande Revolução Francesa - que vista de perto deve ter parecido nada mais do que uma farça sangrenta e essencialmente inútil. E depois, entre 1793 e 1815, uma cadeia initerrupta de guerras até o mundo se parecer novamente com uma casa de malucos. E com que calma e serenidade intelectual continuou seus estudos sobre a metamorfose das plantas, a cromatologia e mil e uma outras coisas! Não espero que escrevas poesia como Goethe, mas podes adotar sua atitude para com a vida, a sua universalidade de interesses, e a sua harmonia interior - ou pelo menos podes tentar atingi-la. E se disseres: mas Goethe não era politicamente ativo, então responderei que um lutador político deve ser capaz de se colocar acima das coisas com urgência ainda maior, ou afundar-se-á até as orelhas nas trivialidades da vida de todos os dias."
Que sensibilidade! E eu que me encontrava aflita por não conseguir resolver as tantas questões que as aulas dele deixaram em aberto, questões que pensei que ficariam no ar, sem respostas, isso me angustiava. Pode parecer idiota, mas eu me importo...
Eu até gostaria, mas não consigo fingir que o que eles falam não chega aos meus ouvidos, não atinge meus sentimentos. Tomar consciência, como bem disse a professora Tânia, dói, não é um processo fácil... Mas me senti um pouco mais aliviada depois das conversas e desse texto e por perceber que eles também se importam.
Guardarei com muito carinho.
Quero também deixar claro que, apesar de eu sempre brincar falando da paixonite platônica pelo professor, o que eu sinto não ultrapassa os limites da admiração, como já disse aqui, ele é um exemplo, um modelo a ser seguido, e, aliás, desconfio que minha paixão, na verdade, é sobre tudo aquilo que diz respeito ao mundo, a sociedade, aos homens... isso sim me apaixona!
Mas não nego que sou encantada por suas aulas e que por mim ele podia ministrar todas as diciplinas do curso! Só de pensar em não ter aula com ele ano que vem já me desanima... quem mais vai me mostrar as verdades do mundo??!
Ah..
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