segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Inútil a gente somos inuteis


Faz tempo que não me sinto tão inútil como nos últimos tempos. Inútil, vou jogando as migalhas do tempo ao vento, não sei para onde vão, só sei que as perco. Estou parecendo um sei lá o que que não vive, só respira. Deixa a vida me levar vida leva eu. Que merda. Que merda de vida inútil. Não, eu não fiz nada de útil este ano no trabalho. Uma lástima pois tenho alunos incríveis e que eu adoro de paixão. Nenhum projeto, nenhuma novidade, nada que lhes chame a atenção. Apenas tenho tentado tratá-los com carinho, respeito e solidariedade. É o mínimo. A pós terminou ao final de junho e desde então o que eu fiz? Nada. Li alguns textos para a monografia. Nem todos, apenas os principais. Eu não tenho participado de nada, desde a greve, e isto me faz uma falta tremenda. Nestes períodos me sinto uma egoísta inútil que não vive, vegeta. Para mim não é tão facilmente aceitável que eu que tenho certa clareza sobre as coisas permaneça sentada vendo o espetáculo da burguesia fodendo com as nossas vidas. Ora, mas me manifesto pelo Facebook. Grande bosta. Ainda se eu soubesse realmente fazer uma leitura adequada das coisas e soubesse escrever de forma crítica, mas me sinto tão alheia às coisas que acontecem. Meu conhecimento é tão limitado e a cada vez percebo isso com mais nitidez que desanima saber o quanto já estudei para ainda não saber quase nada. Nem sei mais o que quero da vida. Também, fica difícil com as limitadas possibilidades. A sociedade nos deixa poucas escolhas. Eu não escolhi ser uma inútil de plantão, mas é assim que estou agora e talvez a culpa não seja apenas minha.

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