Oh, não, não entendam meu último texto como um ponto final em minhas esperanças revolucionárias, nem mesmo desconfiem de que aderi ao hedonismo ou à direita hehe. Algumas coisas fazem parte de nós, e a indignação frente às misérias e mesquinhezes do mundo é algo meu que (in)felizmente não é vendível ou doável, ou nas palavras de um amigo que certa vez me citou Mefistófeles, de Goethe: não tem como devolver o produto adquirido. Ou seja: já era!!! O conhecimento vai com vc onde for. E não é com um foda-se que vou dá-lo descarga e me ver livre de seus encargos. Porque mesmo sabendo que a vida é múltipla e assim devemos vivê-la, não há como esquecer que, como bem disse a Elda, esta vivência é sempre limitada pela sociedade da qual somos filhos. Infelizmente é uma contradição que devemos aprender a manejar. Apenas sei que não é por ter esse entendimento que devo fazer da luta revolucionária, entre aspas, o meu único motivo de existência, como vejo muitos (sic) por aí fazendo. Exatamente porque compreendi esta frase: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. - Marx (sem querer ser pedante hehe). Logo, nem tudo depende de nós, de nossos desejos, de nossas vontades. E por isso manter a serenidade para observar com clareza o movimento histórico é importante.
E finalizo com um trecho que vocês já conhecem, que a meu ver resume toda esta discussão:
...se todo o mundo se desarticula, então procuro compreender o que aconteceu e porque aconteceu, e se cumpri o meu dever de novo me sinto aliviada. E recupero novamente tudo aquilo que me agrada: a música e a arte e as nuvens, a observação das plantas na Primavera, os bons livros, a Mimi, tu e muitas outras coisas... Sou rica e penso que continuarei a sê-lo para sempre.Abandonarmo-nos completamente às calamidades do momento é intolerável e incompreensível.
Rosa Luxemburgo
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