Não há amor como na juventude. Na mais tenra idade o amor é algo... inexplicavelmente... puro, encantador e doce. Somos libertos dos entraves do mundo e nos amamos livre e intensamente... Somos apaixonados, romanticos, bregas... Somos sem medo. Sem medo nos entregamos ao outro. E o amor é leve, é bom, é estrelas no céu, promessas secretas, é pra sempre. E por um momento me sinto absolutamente feliz por ter vivido um amor assim.
No instante seguinte penso... a vida vai nos lascando todo. Caímos, nos machucamos, nos decepcionamos, saramos. Mas aprendemos a temer o amor. Ou a distorcê-lo. Criamos barreiras invisíveis, expectativas imensas, ficamos exigentes, sempre de pé atrás, ouvidos atentos, e qualquer deslise, eliminamos o possível causador de sofrimento. Ou não. Ou insistimos no sofrimento por medo da perda. E o amor dá lugar a outra coisa, bem diferente. A necessidade. Passamos a necessitar de outro. Outro que esteja conosco mais do que nós mesmos. Outro que nos supra as carências emocionais, nos dê chão firme para pisar e nos prometa o céu. Quando é isso que buscamos caímos num breu de ausências e decepções. Porque necessidade se satisfaz com objetos. E o amor não é algo que se compra na prateleira de um mercado. O amor simplesmente acontece. Não se pede nem se exige. Ele vem por livre e espontânea vontade. É uma dádiva. Não sei explicar... Mas sei como é sentir.. e confesso que sinto saudades...
Um comentário:
Você nem tinha ideia do que estava por vir...algumas frases mudaram nesse texto, se atualizaram e saíram do tempo verbal do passado para o presente. Você vive esse amor hoje. Vive esse amor descrito ou melhor, vive o amor indescritível que temos.
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