terça-feira, 17 de novembro de 2009

O dia está chegando...

Eu deveria agora estar estudando para a apresentação do meu TCC que será na quinta-feira. Mas não, sou uma irresponsável que fica escrevendo num blog que só tem meia dúzia de leitores, dos quais o mais assíduo de todos sou eu mesma.

Vou explicar para os outro que restam então. É, explicar o tcc, o artigo MUTAÇÕES NO UNIVERSO EDUCACIONAL, Apontamentos às reflexões de Antonio Novoa.

Vamos lá.

A educação tá só o pó, isto é fato. Logo, surge um monte de gente metida a besta que fica colocando o bedelho onde não deve. Cheios de boas intenções vem nos dizer o que deve ser feito para, como num passe de mágica, tornar a educação um pouco menos ruim. Eles só se esquecem de uma coisa: de onde vem esta tal de crise? Ela é exclusividade da educação? Não, é obvio. A sociedade passa por uma crise, portanto a educação não poderia ficar de fora. Mudanças recentes no mundo do trabalho foi o que a intensificou. A globalização, a reestruturação produtiva e a ofensiva neoliberal são algumas dessas mudanças socioeconomicas que resultaram na mercantilização do ensino, no controle teorio-ideológico dos currículos , na minimização dos recursos destinados à educação, e na deficiente formação dos professores. Os números apontam: a educação vai de mal a pior. Altos indices de analfabetismo e repetencia, além da violência que toma conta das escolas. De quem é a culpa?? Nossos queridos especuladores a despejam sobre os professores. Ah, sim, malditos professores que não querem alfabetizar as criancinhas... Diante disso, aparece um português, influente e conservador, dizendo que a solução da educação está em transformar a escola em espaço público democrático (sic), onde toda a sociedade, (família, associações, empresas, etc, etc.) deverão participar das decisões relacionadas à educação (ou seja, transformá-la num campo de batalha onde cada um luta para impor seus interesses, além do poderoso chefão que tudo pode: o Estado). Nóvoa tem também um certa crença de que o Estado e a política podem, com boa vontade, ajudar na resolução dos problemas educacionais. Enquanto isso, diz ele, os professores devem lutar pelo estatuto socioeconomico da profissão e por uma nova identidade profissional (importante!) para que possam fazer da escola um lugar de formação individual e cidadania democrática.

NO ENTANTO, ao confrontar as idéias de António Nóvoa com a corrente teórica que matriza nosso trabalho, o marxismo, o pensamento de Nóvoa torna-se um pouco problemático...

**Primeiro porque a raiz desta crise que assola, não só a educação, mas a sociedade como um todo, está na divisão social do trabalho, no modo desigual como está organizada a sociedade, ou seja, no capitalismo. Tendo este esgotado suas potencialidades civilizatórias só é capaz de avançar as custas da desumanização, alienação e miséria humana. Portanto, sem romper com o capital, não é possível resolver os problemas sociais e educacionais. Neste sentido, tudo o que o estado e a política podem fazer é adotar medidas paliativas, como reformas educacionais, para amenizar os piores efeitos do capital sobre a educação, porém sem alcançar as causas, isto porque estado e política são frutos do próprio capital, sendo instrumentos de poder da classe dominante, são imprescindíveis para a reprodução do capital. **Além disso, Nóvoa não leva em consideração que a escola serve como transmissora do sistema ideológico necessário para a reprodução do capital.

** Segundo, a idéia de que a finalidade da educação é o exercício da “cidadania democrática”, partindo do pressuposto de que a cidadania é a única forma de fazer a sociedade ser mais livre e humana, também é muito problemática ao passo que a cidadania tem suas bases no ato que funda o capitalismo sendo a forma política de reprodução deste, portanto nunca vai poder ser meio para a verdadeira liberdade humana. A verdadeira liberdade humana só vai acontecer quando o homem se libertar das correntes do capital, ou seja, com a emancipação humana.

** concluímos então que as idéias de Nóvoa são insuficientes pois não buscam os fundamentos da crise educacional, por isso falha nas saídas que aponta para a mesma. Uma mudança significativa na educação requer romper com a lógica destrutiva do capital, e neste sentido, os professores não devem lutar somente pelo estatuto da prórpia categoria, mas deve também se engajar em lutas sociais mais amplas a fim de lutar pela efetiva emancipação humana.

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