domingo, 9 de agosto de 2009

Flores no Asfalto



os sinos dobram dobro a esquina adiante


o céu me espia mais azul que antes


os mortos andam como eu nas avenidas


o sangue escorre da mesma ferida
ergo as mãos pro alto nos meus dedos os anéis


flores crescem no asfalto debaixo dos meus pés
tudo silencia ouço só meu coração


a rua acaba e meus sonhos vão


piso na poça uma moça estende a mão


meus olhos brilham vejo o céu no chão
ergo as mãos pro alto nos meus dedos os anéis


flores crescem no asfalto debaixo dos meus pés


deixo o dia para trás


sono e sonho a noite me traz


deixo o dia para trás


e a dor




[zeca baleiro e gerson da conceição]

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