Bisbilhotando os arquivos do meu pc, eis o que encontro:
Uma estranha sensação tem me rondado como um fantasma sutil, porém insistente, nos últimos dias. Este faz questão de sussurrar gélidamente em meus ouvidos algo que não posso ouvir com clareza, mas me faz arrepiar a espinha e envolve-me em algo sedoso e frio. Frio talvez porque, apesar de cercada de pessoas, não há uma viva alma próxima capaz de embalar minha’alma em algo caloroso e humano suficiente que a satisfaça. Aliás, vejo-me insatisfeita neste sentido desde a infância. E não confunda com falta de carinho e afago. O que me falta é algo mais, algo além de palavras doces e carícias e cuidados. Quanto a estes, não nego, fui até privilegiada. O que vos falo é de outra carência, tão difícil de traduzir em palavras, tão difícil de entendê-la, mais ainda de supri-la. Eu muito gostaria de conseguir explicá-la, quem sabe assim outras pessoas pudessem também se identificar com estas palavras e, mesmo sem respostas, eu me sentiria mais acalentada e menos só. No entanto este fantasma nada me diz com clareza, mas deixa a sensação de que, se todos tem uma busca, esta sensibilidade que me põe muitas vezes em carne viva, tornará a minha inúmeras vezes mais árdua e incompreensível aos olhos alheios, o que inevitavelmente me levará a fechar-me como uma ostra.
[15/02/2009]
Apesar do fantasma me rondando e me causando esta angústia que demonstro no texto, felizmente havia algo pulsante que não me permitiu 'fechar-me como uma ostra', mas sim, me impulsionou a buscar por respostas e nesta busca encontrei o Pão e Rosas. E isto não significa que a busca acabou, pelo contrário, está apenas começando.
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