Por onde anda aquela menina do coração de pedra de 15 anos? Dominada exteriormente pela razão, mas, que por dentro, escondia algo de muito grande em seu peito. Sabe, aquela que dava conselho aos amigos? Que era a quem recorriam quando precisavam de ajuda? Mas que, ao mesmo tempo, era o 'xodó' da turma, sendo sempre muito protegida e mimada por todos. Lembra aquela menina que preferia a dor física do que a dor do coração? Que se vestia de preto e pintava os olhos, sem nem saber bem o porquê? Que escrevia 'i want to die' na mesa da escola e dizia não acreditar no amor? Lembra quantas vezes ela aguentou a dor e chorou escondido para não magoar os amigos? Os amigos... esses sempre fizeram toda diferença em sua vida, presentes ou não. Difícil era conquistar sua confiança, mas, uma vez conquistada, podiam estar certos de que teriam uma grande amiga pelo resto da vida. Mas, certa vez a disseram.. 'nem sempre as águas do rio te levam aonde você quer e, neste caso, não adianta tentar ir contra a correnteza'. Se isso a conformou? De modo algum. Ainda acreditava que as pessoas eram livres para escolher. E por ter um pensamento tão inflexível, sofreu.
E sabe o que aconteceu? Além de não acreditar no amor, agora também não acreditava na amizade. E no que ela acreditava? Sua vida esvasiou-se e sua única certeza era a morte, próxima ou distante, ela não sabia. Dramática, como toda boa garota de 15 anos. O futuro? Era somente o que esperavam dela. Tinha que casar, engravidar, criar, envelhecer, morrer. Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer. Alguém perguntou algo a ela? O que ela queria, o que ela sentia? Não, obviamente. Esta vida pré-estabelecida não a agradava nem um pouco. Afinal, para que vivo? - Para ela a pergunta que não se calava.
Aos poucos a boa-menina-de-família foi se enchendo. Nada mais tinha a perder. Foi quando viveu grandes aventuras que hoje não são lembradas com muita alegria por ela.
Mas... tudo passou, deixando profundas marcas, mas passou, como ela jamais esperava.
Muito ela aprendeu, mas o medo de que o fantasma do passado volte a rondá-la é grande. As proporções seriam maiores, pois agora já não é mais uma menina de 15 anos, apesar de, as vezes, ainda se sentir como uma.
Hoje ela sabe que não pode determinar exatamente o rumo de sua vida, mas, ao contrário de antes, vê muita coisa à frente e sabe que muito está em suas mãos...
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