Quero ir pra Patagônia
Sem data pra voltar
Numa casinha de madeira no alto de uma montanha
Onde ninguém me perturbe
Vou ler tudo o que eu quiser
E só o que eu quiser
Contemplar a quietude
E que tudo o mais se exploda.
Que os outros morram de fome, de dor ou de ignorância
Tenho uma vida só
E, apesar de existirem várias dentro de mim, ainda sou uma só Camila.
Não tenho um vira-tempo
e nem tanto fôlego para gritar tudo o que desejaria
Quero ir pra Patagônia, mas quero deixar algo aqui
aquilo que se chama consciência eu não quero levar comigo
deixo de presente para os que saberão usá-la bem
e não como um veneno
como tenho feito
Um dia, talvez, eu volte
mas trarei comigo a alma daquele lugar
e mais
trarei também a minha alma
O meu eu
que na confusão deste mundo está se perdendo
Quero ir pra Patagônia
Pois como sabiamente disse Rosa Luxemburgo,
"um lutador deve ser capaz de se colocar acima das coisas com urgência ainda maior, ou afundar-se-á até as orelhas nas trivialidades da vida de todos os dias"
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