sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Mundo de malucos...

Após dias mergulhada num livro apaixonante sobre a Revolução Russa, eis onde me encontro: centro de Mongaguá, às 2h da manhã, entre centenas de pessoas, a grande maioria jovens, a esta hora já bastante embriagados.

Tudo à minha volta parecia igual: carros de porta-malas abertos disputavam quem tinha os auto-falantes mais potentes, tocando sempre funck ou psy. As garotas dançavam feito a carla pérez, em minúsculas roupas, enquanto eram observadas pelos rapazes como suculentas picanhas em exposição. Os rapazes, por sua vez, bombadinhos, exibindo no pé o tênis de marca, como se fosse um distintivo, e no pescoço as correntes de prata para parecerem playboys. De gel no cabelo e muito alcool e droga na cabeça, eles competiam entre si para ver quem era o mais malandro e "pegador" da vez. O consumo exagerado de alcool era inacreditável, tanto homens quanto mulheres passavam a noite se embebedando feito loucos. Não serei hipócrita a ponto de dizer que não bebi. Bebi sim, mas ao menos eu tinha uma filosofia "bebo porque este mundo não merece a minha lucidez".

Cansada, após a segunda noite naquele lugar, tudo o que eu mais desejava era sumir dali. Mas, felizmente, minha noite foi salva por uma vista panorâmica da cidade, do alto da cobertura de um prédio, onde uma súbita vontade de voar, planar sobre aquela cidadezinha tão pequena vista do alto, causava-me uma leve e ilusória sensação de liberdade. Lá de cima era possível ter real noção da grande quantidade de pessoas que se aglomeravam, em sua maioria numa rua fechada que beirava a praia, do alto pareciam minúsculas formiguinhas frágeis e esmagáveis.

E eu, como sempre, viajava sob os delírios do meu pensamento...

Há décadas atrás as multidões lutavam por ideais. Tinham o pensamento vivo, as idéias revolucionárias ferviam, elas se uniam por uma causa: a causa humana! A luta contra a degradação do homem! E o que eu estava presenciando neste momento foi, aos poucos, me causando uma profunda angústia...

Lá embaixo, o que se passava? Comemoravam a degradação humana! Como disse-me um amigo meu, está tudo bagunçado neste mundo, o queijo está comendo o rato, o telhando subindo no gato e a rena montando no papai noel! Tudo invertido, mundo de malucos! É como se uma onda de demência tivesse se abatido sobre as pessoas de uma forma muito intensa e irreversível. As consequências disso, prefiro não imaginar.

Pois bem, Camila, este é o seu mundo sem evasão possível. Talvez um pouco pior do que o de Serge que, no mínimo, participou ativamente de uma revolução e tinha amigos (camaradas!) para compartilhar suas idéias! O meu poço é um pouco mais fundo.

Enquanto pensava sobre essas coisas, surgia uma estranha sensação de que talvez, entre tantas pessoas, a louca fosse eu. O fato de não mais suportar aquela fuzarca, levou minha amigas a dizerem que eu estava envelhecendo precocemente...

Seja lá o que for, a única certeza que eu tinha era a de não pertencer àquele lugar.

Em relação ao pensamento, tive a infeliz sorte de nascer num momento histórico nada favorável. O que fazer? Resta-me desabafar no meu blog! E estudar, já que esta mente inquieta não me deixa alcançar a tão falada "serenidade". Talvez o meu "TOC" por escrever se deva a isso, funciona como uma válvula de escape, uma "evasão possível", mesmo que só minha, mesmo que minúscula e insignificante frente à grandeza das coisas. Mas é o que me alivia a alma neste mundo insano...

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