domingo, 28 de fevereiro de 2016

Receita antiga


Eu realmente ando precisando de um empurrãozinho... Eis o que achei no meu próprio blog há alguns anos atrás e que preciso adaptar para o HOJE:



Cansaço? Que cansaço?? (data: 15/11/2009)


DESÂNIMO? QUE DESÂNIMO??? (atual)
Criei um mecanismo interno que absorve todo o meu cansaço  desânimo e o transforma em vontade de concluir a pedagogia iniciar o meu projeto de mestrado e passar no concurso para professor sair da sala de aula.

Sabe porque??


Por que esse é o início  o momento.


Por que eu estudo há estudei 3 anos para ser professora (e mais 2 com a pós em ciências sociais) e esta é a chance e agora tudo o que eu faço é enlouquecer limpando bumbum de neném e ouvindo choro o dia inteiro, num ambiente sem estrutura e em péssimas condições de trabalho.

Por que eu não quero ser ATE  TIA para o resto da vida.

Por que, sendo professora  fazendo meu mestrado, terei mais tempo para: estudar, militar, ler. outras opções de trabalho

Por que, como professora me sentirei mais útil, o trabalho terá mais sentido, pois tratarei de pessoas, e não de papéis.  eu cansei do trabalho braçal, da falta de reconhecimento e dessas políticas hipócritas. Porque gosto do trabalho intelectual e acredito que há mais chances de desenvolvimento pessoal.

Simplesmente....
Por que é minha vida e se eu não fizer este esforço por mim ninguém mais o fará.
E faço questão de repetir:
Por que é minha vida e se eu não fizer este esforço por mim ninguém mais o fará!


E tenho dito!
Quando tudo vai bem não há muito o que escrever. Por isso os poetas são tristes. Agora, quando há chateações.... quantas palavras engasgadas! Que felicidade ver uma folha em branco!

Tá faltando blog na minha vida

Porque antes era só ir ao blog e vomitar toda a indignação, o inconformismo, a rebeldia, o espanto, a frustração, que no dia seguinte eu já acordava uma nova pessoa. Agora não, essa rotina que me obriga a digerir coisas tão indigestas... esse cotidiano apressado, essa coisa de ter que dar conta de sua própria sobrevivência... vai pensando... não é nada fácil. Que venha o Metamorfose 4! E que os fortes sobrevivam!

Sobrevivendo a selva chamada "trabalho"

O legal é que o meu fundo do poço sempre tem uma mola.
Nem sei quem a colocou lá, mas desde já agradeço.
Porque quando tudo parece um misto de angústia, dúvida, frustração e desespero, alguma coisa qualquer que não sei o nome me empurra pra cima novamente. E assim, já notei, assim é a vida, entre trancos e barrancos a gente vai vivendo. Minha sensibilidade é um escândalo às vezes. Sofro com dores impublicáveis, não por serem trágicas, mas por beirarem a comédia. A mente, essa danadinha perigosa. Controle-a ou ela te controlará. Pois eu vou avisar, quem manda nessa birosca sou eu! E nada de rivotril pra você. Estudo, meditação e água, pra lavar todo o pessimismo. Um skate e uns beijinhos não vão nada mal também. Tá ruim? Faz como mamãe ensinou pra tomar remédio amargo "tapa o nariz e engole de uma vez". Logo passa. E que minha sanidade sobreviva!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Libertar e deixar fluir - Ressurgindo das cinzas, cá estou

Faz tanto tempo que não apareço por aqui que fico até desconcertada. Algo que me era tão familiar - a escrita - hoje me parece tão secreta, tímida, distante. É, perdemos a intimidade. Mas creio que nada que um bom texto não refaça os laços, nada de mágoas e ressentimentos, certo querida? Afinal, se te abandonei foi por amor, e quer melhor assunto para prosa??

Abandonei também, por estes tempos, a leitura. Esse ponto é realmente perigoso, não recomendo. Agora até Martha Medeiros anda me parecendo difícil. Pois é, o vocabulário míngua, o raciocínio perde a fluidez, a preguiça toma conta. Você só quer ler crônicas, versos, frases. E nada muito profundo porque dá sono. O que sobra? Livros de auto-ajuda! Conclusão: parar de ler não é um bom negócio, definitivamente.

Deixei também alguns vícios. Redes sociais, drogas e rock'in'roll. Minha nova dieta exclui facebook e nada tem me feito benefício maior! Já vinha irritada com o tamanho do tempo que eu perdia vendo o mais do mesmo, até aquilo virar um verdadeiro palco para um show de horrores com toda sorte de preconceitos, alienação e arrogâncias! Chega, pára, pára! Pára essa birosca que eu quero descer!!! E desci. Ufa

Além disso, fechei a janelinha.  É porque nestes tempos de bonança ando compreendendo o pagodinho que diz que "tem gente que não pode, não pode!, ver ninguém feliz que sofre!". Nossa e qual foi minha decepção em descobrir isso! Chato, chato. Mas até que um pagodinho vai bem, às vezes, o que é uma boa descoberta.

No lugar do face coloquei o inglês. Uau, eu que detestava essa matéria na escola - antes tarde do que nunca - estou me descobrindo uma boa aprendiz e aluna aplicada. E autodidata. Sim, disciplina é liberdade, já me disseram. E isso me faz lembrar outra coisa de que dei abandono. As Ciências Sociais.

Porque ser responsável por reproduzir a própria existência nos deixa pragmáticos demais. Para que filosofia se não sei cozinhar? Ou entender a sociedade se mal sei cuidar de umas plantinhas? Ontologia do ser social é legal, mas aprender a fazer a manutenção da vida é essencial. No entanto, o intensivo de um ano foi bom, mas agora já chega também de pragmatismos. Posso voltar aos estudos. Ou não. Quem vai saber?

Por fim, deixei tudo o que me doía. 2015 foi um ano de desfazer os nós. Rever os planos. Reavaliar o que e quem realmente importa. Libertar para deixar fluir. Agora sim, mais leve, livre para novas encrencas. Quem sabe reate com uma antiga amante? Este pode ser o marco de um recomeço.

;-*















terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Beijo





TE AMO
Vanessa da Mata


Mas o pior não é não conseguir
É desistir de tentar

Não acredite no que eles dizem
Perceba o medo de amar

Eu cresci ouvindo anedotas, clichês e
Chacotas

Frustrações
Sobre amasiar, se casar
Se entregar seria fraquejar

Te amo, te amo, te amo
Te amo, te amo, te amo

E se o tempo levar você

E um dia eu te olhar e não te reconhecer

E se o romance se desconstruir
Perder o sentido
E eu me esquecer por ai

Mas nós somos um quadro de Klimt
"O Beijo" para sempre fagulhando em cores

Resistindo a tudo seremos
Dois velhos felizes
De mãos dadas numa tarde de sol
Pra sempre

Te amo, te amo, te amo
Te amo, te amo, te amo


Pode parecer estranho, mas estou vivendo o momento mais feliz da minha vida. Não pelo casamento enquanto tradição, cuja aquelas que estão de fora são taxadas de mil coisas , ou enquanto a tábua de salvação, falta de opção, obrigação, ou, menos ainda, enquanto sonho romântico ou projeto de vida. Estou feliz porque encontrei alguém que despertou algo inédito em mim. Algo tão bom que nem eu sabia que era capaz. Ter a oportunidade de viver isso plenamente é delicioso. 

Meu coração está cheio de alegria. E nada que venham me dizer a respeito do "casamento" vai me tirar isso, ou me por dúvidas a respeito do que estou fazendo. Problemas vão sempre existir, esteja solteiro ou casado. A rotina, idem. Mas ter um companheiro com quem dividir tudo isso, os problemas e as soluções, as alegrias e as angústias... quando você tem um cúmplice com quem dividir seus sentimentos... certamente o duro cotidiano pode adquirir um ar mais leve e suave. 

Meu amor, não acredite no que eles dizem... perceba o medo de amar.

Descobri que o amor é uma doação: espontânea, voluntária, amorosa, sem nada pedir em troca, nem status, nem dinheiro, nem fama, nem nada.. E é tão natural. O resto é bobagem.

E quando me falam se não sinto minha individualidade roubada, minha nossa!, jamais! Muito pelo contrário, sinto ela estendida. Sinto que posso muito mais, muito além do que eu havia antes imaginado. 

Sei que estou feliz, e até temo um pouco divulgar minha alegria, pois nem sempre as pessoas também se alegram com ela. Mas, meu Gazinho, deixe que digam, que pensem, que falem... pois

Resistindo a tudo seremos
Dois velhos felizes
De mãos dadas numa tarde de sol
Pra sempre

TE AMO, TE AMO, TE AMO.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Eu não sou tão frágil quanto pareço. Quem me viu em dada situação pode ter tido a impressão de que eu desmontaria. Realmente, eu me desmonto. Ou, como Cecília, "me deixo cortar para poder voltar sempre inteira". Porque eu sofro. Sofro quando é para sofrer. Choro quando é pra chorar. Mas isso não me apraz, porque tenho tanta vida! E tenho tantos motivos para ser feliz e estar alegre que permanecer em lamúrias me faz sentir quase uma criminosa, especialmente quando me vejo diante de um mundo onde há tanta gente sobrevivendo à barbaridades. Apenas me permito viver os momentos e fases da vida, cada qual com suas alegrias e dores.

E me disse um passarinho...

Deixe as coisas irem...

Carro é só lata.

E eu parei para refletir. Coisas são só coisas. Umas vão outras vem e assim segue.
Não quero ser o que eu tenho. Não sou o meu carro, o meu celular, a minha casa, as roupas que me vestem.

 Eu sou... o que faço, o que penso e o que sonho!


terça-feira, 29 de abril de 2014

O que aprendi

Porque no mínimo alguma coisa a gente sempre aprende...


É duro quando arrancam de nós algo pelo qual lutamos para conquistar. Quando roubaram meu carro na porta da escola onde trabalho eu entrei em choque. Os sentimentos se embaralharam - revolta, culpa, tristeza, impotência, abandono, medo.

Mas o primeiro sentimento que, comumente, nos vem nessas horas é a raiva - e o desejo de que aqueles que o fizeram tenham o que mereçam: o devido castigo. E quanto mais doloroso for, melhor.

Demorei em conseguir organizar o pensamento e os sentimentos. Colocá-los no lugar novamente custou um tanto. Mas aprendi algumas coisas importantes nesse meio tempo. E, como sempre, com pessoas.

Foi de uma senhorinha de quem ouvi, com surpresa, o seguinte conselho: não lhes deseje castigo, mas que consigam condições melhores de vida pra que não seja mais necessário fazer aquilo.

O tal conselho, ou melhor, reprimenda, me recordou de algo que eu não deveria esquecer. O fato de que as condições de vida acabam empurrando muitos dos nossos jovens ao mundo do crime, como saída mais imediata da esfera de privações em que vivem e inserção ao mundo do consumo do qual somos bombardeados a todo momento. Quando olho para o local onde trabalho - aquele universo de cohabs - onde há muita gente e pouca ou quase nenhuma estrutura, nenhum trabalho, postos de saúde ou hospitais descentes, sem áreas de lazer, esporte, cultura, com escolas que mais parecem prisões, difícil acesso às áreas centrais da cidade... Daí eu percebo: dessa gente quase tudo já foi tirado... Nossas perifeiras sofrem do mais descarado descaso da parte dos governos. Logo, naquela região – e também na qual eu moro - o problema não é apenas de segurança, mas especialmente social. A precariedade de vida, a miséria material e espiritual a qual muitas  dessas pessoas são condenadas, o estado de abandono são os principais responsáveis pelos altos números que caracterizam a violência nesses locais.


Portanto, se acredito ser justo alardear e reivindicar alguma providência dos governantes sobre o problema da violência que têm rondado as escolas da periferia – pois o meu foi apenas um caso entre os muitos que ocorrem toda semana nas zonas periféricas da cidade – pois então que reivindiquemos não apenas por segurança – sim, esta também é necessária, visto que muitos profissionais acabam se afastando e abandonando esses locais devido à insegurança e ao medo – mas também e especialmente por melhores condições de vida para quem mora nessas regiões: saúde e educação dignas, esporte, cultura, lazer, moradia, transporte. Dar oportunidade a esses jovens de poderem vislumbrar um futuro descente. Enfim, não é simplesmente de castigos que precisamos, mas de mais DIGNIDADE.

E, ainda que eu fique triste por terem levado meu carro, sinto-me feliz pela sorte que tive ao nascer numa família que, de acordo com as condições, puderam me oportunizar muitas coisas, inclusive estudar, ter uma profissão, um carro e muito mais...






sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila - Parte II



A segunda parte da minha história foi: a minha adolescência em seu auge, entre os 13 e os 15 anos.  Nesta fase em que a vida gira de cabeça para baixo e você se sente o ser mais  incompreendido e desamado do mundo, eis que me deparei com as pessoas que se tornariam a minha segunda família. Foi breve e marcante. Amigos que eu, no momento, imaginava que trilhariam comigo os caminhos da vida a partir dali. Bem, profecia que se realizou apesar de não do modo como todos esperavam. No entanto, mesmo na distância, mesmo levando vidas diferentes, fazendo escolhas diferentes e tendo outros círculos sociais, esses amigos, que se tornaram irmãos, continuaram em minha vida de uma forma única. Não nos víamos mais com frequência, não éramos mais o centro da vida um do outro, mas hora ou outra, sempre aparecíamos. Nas dificuldades nos procurávamos, mesmo após anos, e nestes amigos sempre encontramos abrigo, por mais diferentes que fossem nossas vidas. Belon, Mariana, Bruna e Jéssica, cada um a sua maneira permaneceu na minha vida desde que entraram nela, aos 13/15 anos. Quando em nossa adolescência nos separamos restou um buraco enorme, uma ferida que demorou a cicatrizar e mesmo cicatrizada, nada foi capaz de preencher novamente o vazio. Ter a chance de reuni-los  outra vez e poder recontar a nossa história tem sido algo especial, pelo qual eu jamais esperava. A vida é generosa conosco.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Vamos entender mais algumas coisas sobre a Camila.


Se a nossa história diz sobre quem somos e muito de pra onde vamos, então é importante lembrar algumas coisas da minha história que são essenciais.

A primeira coisa primordial na minha vida: eu tive e tenho uma FAMÍLIA. Eu tive pai e mãe presentes, incentivadores, carinhosos, colaboradores, fortes e que, acima de tudo, sempre demonstraram amor, amabilidade, preocupação, cuidado, gentileza um para com o outro e para com os filhos. Eu vivi num ambiente de relações amistosas, uma casa tranquila, um LAR. Não quero dizer com isso que tudo eram flores, jamais. Passamos por dificuldades e não foram poucas. Mas em todas elas eu presenciava o apoio mútuo dos meus pais, até em momentos de discórdia entre eles. A paciência, a hora de ceder e de trocar também configuravam essa relação. Havia erro, arrependimento e perdão. Nos tempos mais difíceis, um segurava o outro. Um dava força ao outro até que as dificuldades fossem superadas. Os meus pais não tiveram todos os privilégios que eu tive. Viveram e cresceram e construíram suas vidas em outra época. Seus esforços foram, sem dúvida, dobrados com relação aos meus. Mas graças aos esforços deles hoje eu sei o que é ter um lar. Aprendi que é essencial para a vida termos para onde voltar. O mundo é uma total desordem e lá fora precisamos aguentar, segurar a barra e enfrentar centenas de desafios todos os dias. O lar é o lugar para onde você volta, é acolhido e pode retirar todas as máscaras e armaduras. Pode ser você. É aceito exatamente como é. É ali que nos formamos e nos fortalecemos. É ali que adquirimos forças para voltar para a batalha no dia seguinte. E por mais que ao longo do tempo outras metas e objetivos foram adentrando a minha vida e me fazendo desejar outros horizontes, hoje tenho plena certeza de que de nada valerá  almejar um futuro brilhante de desenvolvimento pessoal, se ao final do dia eu não tiver para onde voltar e me sentir em paz. E, para tanto, não me basta ter uma casa própria e um marido com quem dividir as contas. Mas sim ter um companheiro e um cúmplice para a vida. E este eu já encontrei.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre a Camila e sua reviravolta, Sobre AMOR e LIBERDADE.

É difícil explicar o que deu em mim.

O que deu nessa menina racional, rebelde, feminista que gosta de liberdade. Assim, do nada, resolve casar? 

Casar, ter filhos e um cachorro.

Pois é.

Comercial de margarina? E a monogamia e suas restrições à liberdade? E o casamento e seu contrato social, sua moral ultrapassada, seus valores controversos... E o patriarcado, o machismo que rola nessas relações? E tudo aquilo sobre o ciúme, a posse, a castração?

São muitas ideias pra tão rápida mudança!

Vou tentar explicar, mas não espero convencer, porque o que estou vivendo é apenas vivendo que se entende.

Gente, sabe o que é, é que eu recebi O AMOR.

Preciso dizer uma coisa a vocês: o amor é outra coisa, tão diferente do que a gente pensa, muitas vezes, que é. E sim, minha gente, ele existe. Ele é raro, mas existe. É coisa difícil de explicar, mas não é só balela de livros, poesias e histórias românticas. Na verdade, ele não é nada disso. Nada do que dizem. Nada do que a gente espera. Aliás, a gente nunca espera. 

Nos descaminhos da vida vivemos romances, paixões, algumas histerias. As vezes confundimos tudo isso com amor. As vezes? Quase a maioria delas. 

Mas o AMOR, esse de que vos falo, ele é algo maior e mais sublime que tudo isso, ou tudo isso junto. Aliás, ele está bem acima disso
.
O amor quando dá a gente não duvida, a gente não questiona, a gente não nega, nem renega, nem esconde. Ele se estampa em nosso rosto sem pedir licença, se mostra a quem quiser ver, sem pudores. Ele enche nossos pulmões de ar e colore, sim ele colore!, as ruas por onde passamos, os lugares, as pessoas, o sol e a chuva, os muros e tudo o que está em torno. Ele invade nossas entranhas. Ele transforma a passagem do tempo. Ele aromatiza o ar, o simples ar que respiramos.

Ele não é avassalador. Ele não destrói tudo por onde passa. Ele não nos faz esquecer de quem somos. Ele não nos completa. Ele não nos torna escravos. ELE NÃO NOS FAZ SOFRER, ABSOLUTAMENTE.

O AMOR me invade. O AMOR invade o outro. É RECÍPROCO. O AMOR faz com que juntos potencializemos quem somos, faz nos lançar para aquilo que melhor podemos ser e fazer. No AMOR eu me encontro, eu me revelo, eu sou uma, duas, três, várias!, e no AMOR cabe todas elas. Só NO AMOR é possível a verdadeira liberdade de ser o que é, sem julgamentos, sem pudores, sem vergonhas, sem discriminações, sem ofensas, sem preconceitos. O AMOR nos aceita de verdade exatamente como aquilo que fomos, somos e aquilo que desejamos ser.  O AMOR não me completa, ele me permite ser inteira. Ser corpo, alma, emoção, razão, ser, por fim, HUMANA. O AMOR acolhe com tal generosidade e alegria que ele nos permite errar, nos permite ter falhas, defeitos, sem nos renegar por isso. O AMOR nos faz crescer. Ele quer que cresçamos, que sejamos o melhor que podemos ser, não por uma troca, mas pelo simples fato de ser o crescimento do outro, o meu, e vice-versa. Ele nos acolhe com doçura nos momentos de aflição. Ele vive nossas vitórias com satisfação. O AMOR é encanto, é paciência, é doçura, é calor. O AMOR é uma vontade desenfreada de compartilhar a sua vida, a sua história, o seu mundo com outra pessoa, construindo, daí por diante, uma única história. 

O AMOR me presenteou com a possibilidade de encontra-lo numa única pessoa. Não há mais o que procurar lá fora, pois tudo o que preciso já me foi dado. Qual é a liberdade que procuramos, se não é a liberdade de sermos nós mesmos, por completo? Aliás, em toda busca por liberdade está também a busca por sermos aceitos, do jeito que somos. E é por isso que este amor me cabe. É por isso tudo, que não me sinto com ele castrada, podada em minhas liberdades. Por que nele eu, e tudo aquilo que acredito, se encaixam. Eu continuo sendo feminista. Continuo sendo anticapitalista. Continuo levantando minha voz contra a opressão, o machismo, o preconceito. E este amor me dá a liberdade de fazê-lo por dentro dele próprio também. Porque ele me respeita e me admira enquanto mulher, enquanto pessoa HUMANA, e enquanto tal me permite as possibilidades dessa condição. As contradições sociais que envolvem a vida a dois vão sendo superadas dia-a-dia, porque o que nos rege é o puro sentimento de nos querer bem e o desejo verdadeiro de partilhar a vida, dando-nos a força e a sabedoria necessária para contornar os pontos de tensão. 

Há uma ignorância generalizada sobre o amor. Dos dois lados da força. A classe dominante sofre, mas não desconfia que há algo de errado em sua forma de amar. Já a esquerda tende a renegar todo o amor como criação ludibriadora da força dominante. Sei que vivemos tempos difíceis e isso inclui o relacionamento amoroso. Mas não é verdade que todo ele é castrador. Se o é, não pode ser chamado de amor. E também não acredito em um único tipo de amor, o amor monogâmico como o único verdadeiro. Desde sempre defendo que as pessoas possam viver seus sentimentos e desejos da forma como acharem melhor. Mas EU, que também já não acreditava, fui surpreendida, com um amor, um amor único, com o qual desejo compartilhar e perfazer os caminhos da vida daqui pela frente. 

E sim, vou me casar. Por que não há outra maneira de viver de forma mais intensa esse AMOR que me arrebatou. E nisso não há nenhuma contradição. Sou da liberdade. E descobri que

SÓ O AMOR LIBERTA.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Que pena.. sem querer apaguei todas as imagens do blog. Sem volta. Vai vê já tinha dado a hora delas.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Ah, o tempo!




"Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos

Tempo tempo tempo tempo"



Foi colocando o cadarço no meu All Star recém lavado que subitamente me dei conta de uma coisa: puxa, como o tempo passou rápido! Era verdade quando me diziam - aproveite sua meninice que o tempo voa, garota! Tudo o que vivi se passou como um flash na minha cabeça no exato momento em que, colocando o cordão nos furinhos, percebi que já não me importava a imperfeição dos traços e as torcidas no fio...! Há algum tempo atrás colocar o cadarço no All Star era uma arte. Este devia ficar perfeitamente esticado, sem torções ou dobras. Além do que era uma tarefa prazerosa, lembrando que eu possuía, nesta época, e com muito orgulho, um All Star preto de cano alto que, não, naquele tempo não combinava com nenhum All Star Azul... 

Mas ornava perfeitamente com o grupo de amigos malucos com os quais eu andava na escola. A malícia e putaria comiam soltas em nossas festinhas, idas à Lips ou em qualquer outro lugar onde nos encontrássemos depois da aula, apesar de mal sabermos o que era sexo, a não ser pelos episódios de Emanuelle que faziam sucesso entre nós. Até batizamos uma mesa com seu nome, em sua homenagem! Ah, bons tempos de sítio... rsrs. Bebíamos feito condenados e tudo era bem vindo. Fugíamos das aulas pra nos ver, cuidávamos uns dos outros, nos ajudávamos, vivíamos um na casa do outro e era sempre uma diversão regada a álcool, encrencas e muita risada, sempre.

Hoje quando lembro, penso, como adolescente é sem noção! Tudo era válido e éramos os senhores da razão. E com uma bela imaginação fértil fantasiávamos as mais belas loucuras juntos. E a melhor das certezas era: aquela amizade seria pra sempre. Pois bem, vivemos vertiginosamente os três meses mais loucos, intensos e extasiantes de nossas vidas. Foi como uma droga. E assim como toda trip acaba, a nossa farra também teve seu fim. E, de tão intenso, por tamanha entrega de cada um àqueles momentos, foi trágico. Pode parecer uma imensa bobagem a quem ouve a história. Mas ao menos eu posso afirmar sem ressalvas, marcou indelevelmente a minha vida.

Primeiro porque perdi pessoas cuja presença deu novo sentido á minha vida, me trazendo diversão, afeto, liberdade. Aliás, com eles, e só com eles, eu conseguia ser eu por inteiro, sem medo. Segundo, porque os perdi para os descaminhos da vida, não foi para a morte, nem para algo terrível, ou seja, era evitável e reversível, só dependia das pessoas. E por último, e para mim o mais inaceitável e doloroso, foi pelo fato de ter sido por espontânea vontade... A amizade de 7 pessoas desmoronou por espontânea vontade da pessoa que eu mais admirava dentre todos eles... da que me ensinou sobre amizade e generosidade e que me fez acreditar que a vida podia ser feliz apesar dos pesares... 

Isso me matou por alguns anos.

Daí em diante desencanei de amizades. Logo eu, que dava a vida por uma. Não, eu não comecei a usar drogas nem a me prostituir, mas foi bem difícil superar essa fase, sozinha, e ainda mais pela idade na qual qualquer coisa se agiganta. Agradeço aos meus pais pela paciência de aguentar eu ouvindo melancolicamente Evanescence, 30 vezes por dia. 

O fato é que toda essa história tem me vindo bastante à mente nos últimos tempos. Não por saudosismo ou acaso, mas pela impressionante volta que o mundo deu... "pra parar no mesmo lugar". A chance de recuperar algo que ficou perdido lá atrás, e que então me causou tanta dor por tanto tempo, tem me feito retornar ao passado, ressignificando, pouco a pouco, o que foi vivido. "A coruja de Minerva só alça voo ao crepúsculo" lembram? 

Eu amaldiçoava aos céus pela desgraça que se abateu sobre meu grupo de amigos. Maldizia aos ventos, a vida, aos deuses... Especialmente aquele garoto burro que causou toda a desordem! Indignada eu me perguntava que espécie de titica de galinha ele tinha na cabeça pra fazer uma coisa daquelas??? Eu não entendia, e me indignava, e rogava pragas, e.... fui, meio desajeitada, meio sem vontade, meio pra lá, meio pra cá, vivendo outras coisas na vida...

O tempo passou.

Vivi amores, paixões, estudos, greves, greves, greves, e novos amigos. E quando me dei conta de que havia feito novos amigos, amigos de verdade, amigos para a vida, então, a partir desse dia, foi tudo perdoado. E me vi finalmente livre daquele peso do passado. Saí saltitando. Fiz mil estripulias.

E assim a vida, feita de mil momentos e remendos, depois de muita agitação e bagunça, foi amansando, amansando... até que num susto!..Nove anos depois ... Estava lá... ELE, aquele menino da titica de galinha que tanto me fez sofrer e... que tinha um papo tão divertido e atraente! Uma imaginação tão fértil e um conhecimento tão vasto (ou uma capacidade incrível de dar migués rs), que me fazia rir e me envolvia de uma forma tão gostosa... e aquela risada, me era tão familiar... a sensação foi de ter retornado à casa... retomado uma parte importante de mim que havia ficado para trás. A mágica presença dele fez eu me sentir inteira novamente, sem medo de ser eu mesma... Eu apenas não sabia que ia gostar tanto daquele beijo...

Uau...  Que vida é essa ! Estou prestes a me casar com essa criatura, que apesar de toda dor do passado, foi a única capaz de me despertar amor. Não só despertar, mas me fazer aceitá-lo, crê-lo, vivê-lo e me entregar de corpo, alma e coração.

É, essa vida nos prega peças. Se a separação dos meus amigos tão queridos nos impediu de prejudicar nossos futuros, se toda dor sofrida foi para receber com maturidade o amor, então posso dizer que tudo valeu a pena, tudo foi necessário e aconteceu exatamente como deveria acontecer, sem por nem tirar.

 E assim termino de colocar o cadarço no meu All Star, agora branco, sentindo uma enorme gratidão pela vida e feliz com a minha história. História que a partir de agora tomará novos rumos, adentrando a nova fase. E como me sinto?

Cheia de planos, sonhos, expectativas. Feliz, me sentindo amada e sortuda. Me conhecendo e reconhecendo a cada dia. Entendendo um pouquinho mais sobre esse mistério que é a vida e o amor.

Seja bem-vindo Metamorfose 4!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Coisas da Sétima Arte



Nosso coração resistiu à nossa própria decisão de nos apagar um ao outro da mente.*


Daí (re)começa a nossa história.



Eis que vivemos uma bela e verdadeira amizade de colégio, no auge de nossa adolescência, que por pouco mais de três meses nos possibilitou viver coisas inesquecíveis e marcantes. Certamente seríamos amigos pelo resto de nossas vidas... no entanto.. "a vida tinha um plano e separou a gente". 

Perder pessoas queridas não é um processo fácil. Especialmente quando se perde em vida. "O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu.  E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo"

Perdê-lo abruptamente, junto com nossos amigos, a nossa família, foi doloroso. A nós dois. Um pedacinho de mim ele levou com ele.

Fiz muito para esquecê-lo, "te matei mais de mil vezes".. sem compreender o que se passava...


"as vezes o amor está ali, você nem tá sabendo..."


E nesses 9 anos de ausências, entre lembranças e esquecimentos, vivemos muitas coisas. O que nos levou a entender que, ao contrário do que se costuma acreditar, o tempo não cura tudo,  apenas tira o incurável do centro das atenções.

O incurável. A sintonia que, num encontro repentino alguns anos depois, numa brincadeira inocente nos permitiu, secretamente, ler um ao outro pelo olhar... Realmente, O Amor... às vezes não tem cura.

Nesta época, aquele olhar triste, cabisbaixo, que já havia sido o mais vibrante e contagiante de todos os que eu já conhecera, me causava um conformado pesar.  As vezes, perdida em devaneios, pensava que talvez pudéssemos retomar nossa amizade, tão injustamente interrompida, em algum tempo distante.. ou somente em outra vida... triste era pensar no nunca mais.

 Porém, como me disseram uma vez "nada desvia o destino..." 

A vida nos seguia e no instante em que tudo parecia tão pálido...


A vida nos surpreendeu nos reaproximando no exato momento. Num sonho confuso, semanas antes, eu o via. Foi absurdo o espanto ao entrar naquele lugar. O mundo girou. Pois não tínhamos nos visto ontem? Na escola? Na Lips? Entre risos, abraços, longas ligações e caríssimas contas de telefone que, ao final do mês, recebíamos aos berros de nossos pais...  Ops! Não??!



Não. Passados 9 anos de distâncias, nos reencontramos adultos, formados, cheios de histórias e cicatrizes, vivendo em mundos completamente diferentes, quando não contraditórios,  e ainda assim conversamos como se nunca, nada, jamais tivesse nos separado. "Tipo coisas da sétima arte. Aconteceu sem que eu imaginasse"


A partir daí  embarcamos numa aventura em que a vida magicamente se resume a nossa graciosa bolha de sabão multicolorida que flutua no ar. Enquanto isso, o mundo gira em câmera lenta e perfaz os caminhos para seguirmos adiante em nossos sonhos, agora compartilhados.


Tão natural quantoa luz do dia
Mas que preguiça boa,
Me deixa aqui à toa,
Hoje ninguém vai estragar meu dia,
Só vou gastar energia pra beijar sua boca...

Por fim, foi necessário perder uma amizade para ganhar um amor-amigo... Ou mais que isso.. Hoje sou e tenho um CÚMPLICE, no amor e na vida. E é desta cumplicidade que a nossa bolha se faz e é blindada.

E eu que pensava que jamais teria um amor como o da juventude
Eu que pensava que ideias comuns eram o suporte para construir o amor
Eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida
Eu que acreditava ser impossível amar, querer, se dedicar a uma única pessoa
Eu que... jamais sonhei viver coisa tão linda... mágica, apaixonante, doce... e recíproca!


Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei


E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena


Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola


Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor


E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir aonde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar


Ah vai, me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar




*Brilho eterno de uma mente sem lembranças...


Hoje, aos olhos de muitos pode parecer loucura, mas digo sem pudor algum:

Gabriel, eu te amo!


...e amei, sempre.


P.S.: O amor é algo tão inexplicável, que por mais que tentemos é difícil descrevê-lo. Por isso explicitá-lo através da música é a melhor alternativa, pois por sorte existem e existiram no mundo alguns espíritos iluminados com a capacidade de desvendar um pouquinho que seja desse sentimento. Portanto, cada trecho de música aqui escrito tem um link para ler e ouvir a música na íntegra. São músicas que contam, cada uma, um pouquinho dessa história, cujo título tão bem a define:  " Coisas da Sétima Arte". 




domingo, 23 de junho de 2013

Tentando entender o que vem acontecendo...


Imaginem uma panela de pressão:

-Insatisfação com os serviços públicos de péssima qualidade;
-Indignação diante da farra dos políticos;
-A mídia exaltando os absurdos da corrupção petista (como se a corrupção tivesse sido inventada pelo PT);
-Gastos exorbitantes com a Copa
-Alto custo de vida

O brasileiro vem insatisfeito e indignado há tempos. Mas se limitava a reclamar no sofá, diante da tv, vendo o noticiário das 9h. 

O BRASILEIRO? Calma lá... QUAIS brasileiros? Os grandes proprietários, banqueiros e donos de empreiteiras é que não são...

Aliás, o PT vem garantindo os interesses dessa casta minoritária e exatamente por isso, APENAS por isso, têm se mantido no principal poder do país por tanto tempo.

Ok, quem se indigna então? A massa pauperizada, que sobrevive a trancos e barrancos, alimentada pelos programas sociais do governo? Também não. Esta é calada pelos trocados recebidos que não propiciam  verdadeira melhoria nas condições de vida, apenas lhes dão o mínimo necessário para não cair na total miséria, em contrapartida, os mantém na ignorância.

Nos resta então a dita classe média e o trabalhador. 

A classe média: odeia os pobres, tudo o que ela quer é distância deles. A classe média sente suas regalias ameaçadas pelos programas sociais de transferência de renda do governo (logo, odeia o PT). A classe média teme por suas míseras propriedades. No desespero de proteger seus bens, no desespero de não ser rebaixada às classes populares, emana pela sociedade suas demandas conservadoras e reacionárias: redução da maioridade penal, mais policiamento nas ruas (ROTA NA RUA), políticos corruptos DO PT na cadeia, entre outras coisas. Para ela, preto, pobre e minorias atrapalham o desenvolvimento do país. Sente-se representada pelos partidos de direita, é despolitizada e compra o discurso tendencioso da mídia burguesa.

O trabalhador: o trabalhador está basicamente nas periferias da cidade. Ele sofre diariamente com a insuficiência e péssima qualidade do transporte público, pois é ele que atravessa a cidade diariamente para chegar ao trabalho, em situação humilhante e desumana. Horas e horas são perdidas. É ele que precisa do sus, dos postos de saúde, dos hospitais públicos que não tem médico, não tem leito, não tem medicamento. São os seus filhos que estudam em escolas precárias onde falta recursos, professores e incentivo à aprendizagem.  São as suas crianças que são colocadas em creches que mais parecem depósitos de crianças, sem estrutura adequada, sem materiais adequados para atender à faixa etária. São os seus jovens que não possuem espaços de laser, de cultura, de esporte nas grandes periferias; são eles que, com a precária educação primária ocupam as cadeiras das universidades privadas, de má qualidade, porque não conseguem entrar nas elitizadas universidades públicas, e, se excepcionalmente conseguem, não conseguem se manter, pois existe um custo para permanecer nessas universidades que não é garantido pelo governo. Enfim, posso ficar o dia todo listando as mazelas que são diariamente enfrentadas pelo povo, pelo contribuinte, pelo trabalhador. Esses, em sua maioria, ainda nutrem ilusões a respeito do PT, e são facilmente manipulados pela mídia.

Aí nos perguntamos: quem está nas ruas?

Num primeiro momento, os estudantes mais politizados, em sua maioria das universidades públicas (sim, porque o movimento estudantil, que agita a luta pelo passe livre, mal chega às universidades privadas da periferia). E os partidos de esquerda porque o passe livre É UMA DEMANDA DA ESQUERDA. Isso se deu até a quinta-feira fatídica na qual a polícia agiu violentamente contra os manifestantes. A partir da segunda feira o movimento se ampliou em quantidade, pois sim, A CLASSE MÉDIA resolveu sair da toca.

O processo de engorda obviamente deu muito mais força à luta. Mas a mistura de ideologias opostas, e a despolitização tomou conta das ruas, formando um GIGANTE com as feições mais bizarras e medonhas, iniciando assim um processo que pode ser preocupante.

A começar pelo repúdio à esquerda. Mas podemos entender os motivos disso...

Os mecanismos de organização dos trabalhadores, do povo pobre, são os partidos DE ESQUERDA e os movimentos sociais. Sim, minha gente. E digo mais, é fácil confundir esquerda com PT e repudiar tudo o que se diz de esquerda.  Mas, como diz minha prof., não podemos jogar fora o bebê junto com a água suja do banho!! 

Acontece que os partidos da esquerda brasileira são pequenos e de pouca expressão. Eles não chegam às massas, porque seu discurso parou no tempo. Eles passam grande parte do tempo brigando entre si. Eles tentam, com pouco sucesso, engordar suas fileiras militantes com um discurso quase catequisador. Não estou dizendo isso por puro achismo. Digo porque pude, em alguns momentos, acompanhar a atuação desses partidos no sindicato, no movimento estudantil e no movimento feminista. Eles discursam pelo socialismo. Céus! Com a grande campanha burguesa contra o comunismo, quem é que quer saber disso hoje em dia??? Falando, com seu linguajar muitas vezes de difícil entendimento, academicista, esses militantes parecem lunáticos, perdidos em devaneios e ilusões, aos olhos da maioria. Isso afasta as pessoas comuns, as pessoas que não estão nas academias, que desconhecem a história, que desconhecem suas origens. Definitivamente, eles não sabem dialogar com as massas! Com o trabalhador, com o jovem da periferia. Se auto-conclamam representantes da classe trabalhadora, mas não ajudam a própria classe a se reconhecer enquanto classe, tão pouco a reconhecê-los como seus representantes.

Logo, numa manifestação tomada pela classe média conservadora e com uma esquerda pífia, coisa boa não poderia dar. Os grupos de ultra-direita, fascistas, com suas palavras de ordem fáceis, logo conseguiram ganhar apoio daqueles jovens despolitizados, manipulados pela mídia, desacreditados no governo (e, logo, na esquerda), que estavam pela primeira vez nas ruas. É fácil compreender a simplificação: partidos=esquerda=PT=corrupção. Além disso, esses partidos estão distantes, e não falam a língua de quase ninguém, como eu já disse. 

Aí eu concluo que, se a esquerda não acordar, não se reorganizar, não se juntar aos movimentos sociais, E VIR PARA AS PERIFERIAS DA CIDADE CHAMAR O POVO, O TRABALHADOR, A JUVENTUDE EXCLUÍDA, este gigante burro e desembestado pode transformar o sonho de vocês em pesadelo!! Essa é a hora desses partidos se aproximarem da periferia e abrirem o diálogo, pois, apesar de os trabalhadores ainda não estarem efetivamente participando dessas lutas, certamente estão antenados no que vem acontecendo e agora possuem um grande exemplo. A importante aprendizagem que a vitória desse movimento deu às pessoas foi: existe um instrumento de luta eficaz: OCUPAR AS RUAS! A esquerda precisa trazer essa discussão aos trabalhadores e juventude, precisa se apropriar das REAIS E URGENTES demandas dos trabalhadores e parar de viajar na maionese! Precisa se unificar, parar de brigar por discordânciaszinhas teóricas e vir para a prática associadas aos de baixo!

Mesmo que essa onda de protestos, pela falta de liderança, direção e foco, se perca em poucos dias, é a grande oportunidade de iniciar um processo de politização da população. É NECESSÁRIO E URGENTE QUE A ESQUERDA E MOVIMENTOS SOCIAIS FAÇAM ISSO! Ou, se deixarmos a direita, a mídia burguesa e a ignorância política dominarem, logo estaremos vivendo tempos ainda mais sombrios!!!!


UFA, desabafei.



sábado, 25 de maio de 2013

GREVE


Professores da rede municipal em greve. O governo foi duro com a gente. A greve se fortaleceu, durou 20 dias e deu um salto em qualidade, que eu não vi na greve do ano anterior. Os professores se envolveram. A última assembléia foi tão bonita. A energia dessas coisas é algo indizível. Parece que todos viram amigos. A união das pessoas é contagiante, desperta solidariedade, comunhão, amizade e força. É, sabias palavras aquelas que diziam "trabalhadores de todo o mundo: uni-vos!".
Um dia, quem sabe, poremos todo esse sistema abaixo. Não tenho condições de fazer uma avaliação dessa greve, além dessas impressões, pois não participei ativamente como doutra vez. Mas posso dizer que fiquei orgulhosa dos professores.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os Ventos que as vezes tiram algo que amamos
São os mesmos que nos trazem
Algo que aprendemos a amar
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado
E sim aprender amar o que nos foi dado
Pois tudo aquilo que é realmente nosso
Nunca se vai para sempre!
 

2013


Preciso tanto escrever. Tem tanta coisa dentro de mim. O mundo girou em um mês. Revisitei meus 15 anos. Ainda estou tonta. Preciso colocar tudo no lugar. Meu coração tá explodindo de alegria. E não é dizível em palavras.

Só tenho uma coisa importante a dizer:

VIDA, COMO VOCÊ ME É GENEROSA!!! 
ETERNAMENTE GRATA!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

.~.~.~ Deixa estar que o que for pra ser vigora







Show da Maria Gadu no Credicard Hall.
Foi bom! Chegar foi um parto. Mas deu tudo certo. 
Amigos!


... eu to tão feliz.. vamos dividir os sonhos.. que podem transformar o rumo da história.. vem logo.. que o tempo voa como eu quando penso em você...

Laialeielarararelaia 

Ohh Voz gostosa dessa muié. Vontade de sair dançando.

Vamos lá, análise do artista...kkkk.. eu gosto da voz dela e acho bem afinadinha. O que deixa a desejar é a dicção, não dá pra entender o que ela canta, principalmente quando é uma música desconhecida. Mas eu gostei. Mas ainda prefiro shows abertos, ao ar livre, onde podemos dançar... tem mais energia.
E perto da Ana Canãs... sem chance! Deixa Gadu no chinelo.




quinta-feira, 11 de abril de 2013

Calma aí coração!



ZECA BALEIRO VOCÊ É FODA!!

Assistir a um show com as músicas que você adora e um artista que você admira, não tem preço. E não teve mesmo. No parque da juventude, foi de graça. É uma energia... Lindo.. O lirismo dele me encanta! Fechava os olhos e viajava... Pulei, cantei, me emocionei.

Ah, vida, as vezes você é tão linda pra gente! Depois de um sábado melodramático, este domingo era tudo o que eu precisava. Surreal.

Grata.

Calma aí coração!


Eu já falei tantas vezes
E você nada de me ouvir
Vão-se os dias, anos e meses
E tudo que você sabe fazer é sentir
Quantas canções falam de você
Tantas paixões sem você não são
Não pare nunca pra eu não morrer
Nem voe tão mais além do chão
Deixa, me deixa em paz, ó meu coração
Chega, o que liberta é também prisão
Deixa, deixa assim, só e salvo e são
Quem tanto bate um dia apanha
Chega de manha, não me assanha
Doido, louco, maluco coração
Coração surdo não tem juízo
Não ouve nunca a voz da razão
E razão você sabe, é preciso
Pra curar a sua loucura, coração
Bandido cansado de enganos
Heróis de capa e espada na mão
Esquece metas, retas e planos
Veleja no mar escuro da ilusão


domingo, 7 de abril de 2013

DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA


Canto minha vida com orgulho

Na minha vida tudo acontece
Mas quanto mais a gente rala, mais a gente cresce
Hoje estou feliz porque sonhei com você
E amanhã posso chorar por não poder te ver


Mas o seu sorriso vale mais que um diamante
Se você vier comigo aí nós vamos adiante
Com a cabeça erguida e mantendo a fé em Deus
O seu dia mais feliz vai ser o mesmo que o meu


A vida me ensinou a nunca desistir
Nem ganhar, nem perder mas procurar evoluir
Podem me tirar tudo que tenho
Só não podem me tirar as coisas boas
Que eu já fiz pra quem eu amo


E eu sou feliz e canto
O universo é uma canção
E eu vou que vou


Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória


CHORÃO, MINHA PRIMEIRA VAI SER PRA VOCÊ! - DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA


Vou cuidar do meu jardim

Revolta


Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada.
Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.

De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.

Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.




Mais uma vez, obrigada Vinicius de Moraes










sexta-feira, 5 de abril de 2013

Socorro


Nem sei o que dizer.
Os caminhos que a humanidade tem trilhado me assustam. Me apavoram.

As pessoas me decepcionam.
Tenho reparado as pessoas cometendo cada barbaridade que não me conformo. Penso, enquanto eu me esforço pra ser uma pessoa melhor, o pessoal aí se esforça pra ser pior!! É a escória! Miséria humana da desgraça! Não aprenderam nada sobre respeito? Sobre boa educação? Coisas simples, como não jogar lixo na rua... como dizer as palavras mágicas, por favor, obrigado, desculpa. Ninguém ensinou a elas VALORES? Amizade? Compaixão? Solidariedade? Lealdade? Honestidade? JUSTIÇA???

As notícias no jornal me horrorizam.
O mundo está retrocedendo alguns séculos. 500

Já não sei pra onde olhar!

Ai Camila, tenha calma. Eu não posso resolver nada disso, então, tenha calma.

Resgatei meu violão.

Sim, porque alguma coisa tem que ocupar a minha mente e me fazer sorrir.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Meus pequenos

 Deixa eu me exibir só um pouco vai...

Porque só eles salvam o meu dia. Me enfurecem, às vezes, mas não tem como não se apaixonar!
A turminha está bem melhor. Fizemos os combinados da sala, juntos, em roda, discutimos e montamos as regras. Eles sabem direitinho apontar a regrinha certa para aqueles colegas que extrapolam. E, estando dentre os combinados, eles entendem e respeitam quando preciso lhes chamar a atenção. Foi necessário para aprenderem a conviver juntos, a se respeitarem, a se responsabilizarem pela arrumação da sala e se solidarizarem com os colegas. Não é simples, requer muita conversa, pulso firme e insistência. E também carinho, pois são crianças. Porque não dá pra ensinar respeito e solidariedade sem atuar da mesma forma com eles. A rotina é muito importante. Ela é chata as vezes, mas é necessária. As crianças se sentem mais seguras quando tem um roteiro, quando elas sabem o que virá a seguir. Todo dia eu repito as mesmas coisas. É chato também. Mas também é necessário. Por exemplo, eu odeio filas, para irmos da sala ao refeitório na hora das refeições, antes sento todos, falo o que terá de comida, e então digo, quase como uma oração "Agora vamos levantar bem de vagar e ir andando, todos juntos, para nossa mesa". Gente, se as professoras que insistem nas insuportáveis filas (na fila eles brigam, se puxam/empurram, se agarram e fora que sempre tem os que não prestam atenção, enfim, é um momento infernal) soubessem que essa tática de "andarmos juntos" funciona, elas nunca mais fariam fila. Eles vão andando tranquilamente e sem deixar nenhum colega pra trás. Parece mágica. Há quem não acredite.
Essas fotos são dos trabalhos sobre identidade. Todas as crianças tem sua foto com o nome. Todas tem uma ficha com o nome que colam na chamada todos os dias. Conversamos sobre as características pessoas de cada um. Eles fizeram um auto-retrato. Carimbamos os pés e as mãos para ver as diferenças, quais eram maiores/menores. E medimos a altura. Eles adoraram. Aos poucos eles estão melhorando. Mas tem muito trabalho pela frente ainda.